Resenha: Colony — é V e Falling Skies, sem os aliens

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A premissa não é original mas bem-feita rende boas histórias: a Terra invadida e dominada por aliens, pessoas tentando viver suas vidas lidando com forças de ocupação, ao mesmo tempo em que grupos rebeldes formam uma Resistência para combater os invasores.

Colony, do USA Network tem tudo isso. Exceto aliens. Deles só vemos alguns drones, são só mencionados. Todo o trabalho sujo é feito por colaboracionistas, tropas humanas que obedecem a uma elite que tem acesso a comida, remédios, luxo e festas, enquanto a população tem que comer grama pra sobreviver — ops, não, isso é na Melhor Coréia, em Colony não é tão ruim assim.

As cidades são isoladas por enormes muralhas, tráfego entre elas é proibido, até caminhões levando cargas precisam trocar de motoristas. Há toque de recolher, pessoas são mortas sumariamente nas ruas pelas tropas malvadas, não há tratamento médico para doenças tipo diabetes.

Will Bowman, personagem de Josh Holloway é um ex-Ranger do Exército dos EUA trabalhando como motorista de caminhão, ele é capturado quando tenta se contrabandear de Los Angeles para Santa Monica, atrás do filho desaparecido. Ele é convidado a se juntar aos colaboracionistas, em troca de benefícios para sua família.

Você já viu esse filme. Milhares de vezes. As tropas de ocupação são imensamente malvadas, desnecessariamente, aliás. Os líderes corruptos vivendo no luxo se justificam dizendo que não tinham opção, e adoram apreciar sadicamente o sofrimento alheio. Parece algo digno de um textão de Facebook, é um discurso primário, maniqueísta digno daquela bobagem chamada “Elysium”.

Nos dois primeiros episódios nada realmente acontece diferente de 1653 outros filmes distópicos sobre governos malvados autoritários. Você sabe quem vai ser preso, quem vai morrer, sabe que os ricos são malvados, eles sempre são.

O grande plot twist, e eu aposto quantos iPads imaginários você quiser, será a revelação de que a invasão alien foi um complô de uma elite illuminati malvada de empresários malignos.

Colony lembra muito V, ou algumas fases de Falling Skies, mas sem os aliens. Perde-se a motivação principal, humanos colaboracionistas? Beleza, mas mostre os alienígenas, cacete. Do jeito que foi feito eles são uma complicação desnecessária, mais honesto colocar a história na Polônia invadida pelos nazistas.

Colony é uma alegoria de uma alegoria, um discurso anti-totalitarismo (nossa que ousado) com mão-pesada, não tem o exagero hiperbólico de um Starship Troopers nem o brilhantismo d’O Homem do Castelo Alto.


Colony | Official Trailer – New Series on USA (Coming January 2016)

Dizem os produtores que a série foi inspirada na ocupação nazista da França. Jura? Que legal, eu jamais imaginaria alguma associação com nazismo, só pela cena dos prisioneiros, homens e mulheres sendo obrigados a tirar as roupas, trancados em um “chuveiro” e depois exterminados.

Cotação:

1 de 5 símbolos dos invasores em V, mas de que forma alguma fazem referência a uma suástica.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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