A batata de 1 milhão de euros

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Já discutimos esse assunto aqui. O mercado de arte é muito estranho. Imagens absurdas são negociadas por valores astronômicos e deixam o observador comum (nós) sem saber como essa loucura toda pode acontecer. Muita gente com dinheiro para gastar e (às vezes) pouco conhecimento sobre arte, artistas oportunistas, galerias gananciosas e até a suspeita de lavagem de dinheiro são apontados por quem critica esse mercado.

Mas, uma obra de arte e, consequentemente, seu valor não pode ser explicada apenas por ela mesma. Existem outros fatores a serem levados em consideração. O nome do autor, sua importância para algum movimento artístico, a sua importância histórica, o momento em que a obra de arte foi concebida e, para mim, a mensagem que ela quer passar. Nesse ponto de vista, se Pablo Picasso chegasse em um restaurante e desenhasse um Smile em um guardanapo de papel e assinasse embaixo, essa “obra” valeria mais do que qualquer foto que eu pudesse produzir em minha vida.

Tendo em vista essa pequena explicação, vamos para a notícia que levou esse texto a existir. O fotógrafo (e artista) Kevin Abosch vendeu a foto que se encontra no começo deste texto (uma batata) pela singela quantia de 1 milhão de euros. Isso mesmo, você não leu errado. Uma quantidade absurda de dinheiro por uma imagem de uma batata em fundo preto. Uma imagem que qualquer estudante de fotografia conseguiria fazer com pouco tempo de dedicação.

Kevin Abosch é uma celebridade no Vale do Silício. Ele se especializou em retratos corporativos dos executivos das industrias de tecnologia. Ele conseguiu o que muito fotógrafo persegue: se transformou em uma grife. Ele cobra a bagatela de US$ 150.000,00 por uma sessão fotográfica que vai render um retrato. Se a foto tiver uso comercial (publicação em uma revista) o preço pode chegar a US$ 500.000,00. Ele se tornou tão exclusivo que suas fotos já viraram itens de coleções.

Um destes colecionadores estava visitando sua casa em Paris em 2015 quando viu a referida foto na parede. Ela mede 162 × 162 cm e o mesmo se ofereceu para comprá-la. O preço fixado pelo fotógrafo foi de 1 milhão de euros e o colecionador topou. Segundo a assessoria de imprensa do fotógrafo, Kevin adora fotografar batatas, pois elas são muito parecidas com os seres humanos: “Kevin gosta de batatas porque, como as pessoas são todas diferentes, mas imediatamente identificável como sendo essencialmente da mesma espécie”.

Mesmo não chegando perto do igualmente ridículo preço pago pela foto de Peter Lik, a batata de Kevin já figura entre as 20 fotos mais caras do mundo.

Eu me sinto um pouco idiota por não entender esse tipo de coisa. E vocês?

Fonte: Petapixel.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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