Outro dia, outro quase-acidente espacial na China

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Farei uma previsão, e nem no estilo Jucelino da Luz, é a sério: você lerá aqui, em um futuro não muito distante um post ilustrado com uma lambretinha chata e o título “Eu te disse! Eu te disse!”. Nele falarei sobre como um pedaço de lixo espacial matou um sujeito, no Cazaquistão ou na China, provavelmente.

E não terá sido por falta de aviso. Não é de hoje que todo mundo alerta para esse problema; bases de lançamento em regiões que estão deixando de ser remotas, tanto pela chegada de humanos como com o aumento da potência dos foguetes. 

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Somente uma parte ínfima dos foguetes chega ao espaço, o resto cai de volta na Terra, isso significa toneladas de motores, fuselagens, tanques de combustível e GoPros, principalmente GoPros.

A única coisa que impediu até hoje essas coisas de caírem em cima de um vivente foi a estatística. Desta vez os sortudos foram os moradores de uma cidadezinha chamada Yuanxi, na província de Jiangxi (sim, claro que na China, achou que fosse no Acre?).

Dia 15 a China lançou o satélite APSTAR-9, usando um foguete Longa Marcha 3B, foi um belo e perfeito lançamento noturno, como costuma acontecer quando não estão levando satélites zicados brasileiros. Veja esta bela filmagem do lançamento, feita por alguém em local não-autorizado, perto demais:


Chi Wong — APSTAR-9 Launch

A má-notícia é que a carenagem do foguete, com 10,3 m × 4,5 m e algumas toneladas caiu na tal vila, interrompendo as linhas de energia.

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Deram sorte? Sim, de novo. Um dia acaba.

A nota divertida é que não é só aqui que temos jornaleiros, no South China Morning Post um sujeito claramente incapacitado para escrever sobre ciência especula em seu artigo:

“Não está claro o que aconteceu durante o lançamento que fez com que os destroços se soltassem, mas a reportagem publicada no Diário do Povo diz que o lançamento foi bem-sucedido”

O que fez com que os “destroços” se soltassem? As cargas pirotécnicas que detonaram na ordem e no momento corretos. Veja um teste com a Orion:


NASA Johnson — NASA’s Orion Sees Flawless Fairing Separation in Second Test

O que fez os destroços caírem? Este cara aqui.

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Dada a relação do governo chinês com a imprensa, esse cidadão que falou mal do programa espacial deles sem conhecimento de causa vai passar algum tempo em um campo de reeducação. Espero que tenha aulas de engenharia aeroespacial.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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  • Carangos e motocas. Estou velho

    • Rolando

      Somos dois. E eu crente que só eu tinha entendido essa.

    • OverlordBR

      Eu gostava mais das motocas e sempre torcia para que elas ganhassem. 🙁

    • Puta…. merda….

  • Farei uma previsão, e nem no estilo Jucelino da Luz

    Já que o termo “clarividente” foi registrado pela S.H.I.E.L.D, escreve uma carta, registra em cartório. Depois, adota um nome espírito-cabalístico qualquer e uma frase de efeito, tipo “pai xotagum Cardoso – aquele que tudo vê e se não vê, é porque não é relevante”.
    Pode ser que a nova carreira dê mais dinheiro que publicar e-book.


    A sério agora, é muito provável que a China inicie esta categoria, já que os demais países conseguem lançar próximo ao oceano.

    • Theuer

      Não esquecendo, é claro, de fazer a mesma coisa com uma carta prevendo o contrário.
      Um clarividente que se preze não erra nunca, e só acerta uma vez!

  • Zaaboo

    O rapaz que filmou vai ficar com a audição meio abafada por uns dias, hahaha.

    Definitivamente eles estavam muito perto.

    Só por farra, pelo vídeo a diferença entre luz e som dá uns 7 segundos. Devia estar uns 15 graus ali?

    Algo em torno de 2380 metros de distância. Alguém confere?

    Não sei ao certo, mas nos vídeos da Nasa o público parece ficar a uns 15km. Chutando, evidentemente.

  • jairo

    “Satélites zicados brasileiros” , infelizmente isto é um fato

  • Marlon

    Claramente nunca jogou KSP

    “Não está claro o que aconteceu durante o lançamento que fez com que os destroços se soltassem, mas a reportagem publicada no Diário do Povo diz que o lançamento foi bem-sucedido”

  • (sim, claro que na China, achou que fosse no Acre?)

    Não vi nem dinossauros, nem índios, nem safadas, com certeza não é o Acre… 😛

    • ArnolDino Fchwarzeneffer

      Chamou?

  • “…a reportagem publicada no Diário do Povo diz que o lançamento foi bem-sucedido…”

    Aqui no Brazil na Estupenda República da Banânia a aprovação de verba e lançamento de Dinheiro Público pro espaço sempre é bem sucedido, somem numa velocidade de dar inveja a lançamento da Space-X.

    • E a capacidade de pousar em bancos além-mar também é impressionante

  • Jonatan™

    “Não está clalo, mas cleio que os destloços elam de flango com catupily”

    • Os destloços não sei, mas o chinês que tiver na área vai parecer pastel quando o foguete “tiver sucesso na decolagem”… 😛

  • Esses chineses devem achar que estão jogando Kerbal, onde o planeta não tem NADA além da base de lançamento e uma pista de pouso de terra batida numa ilhota isolada 😀

    • ²He

      Eles tem MUITA gente morando em POUQUISSIMO espaço, estatisticamente, não caindo nesses centros superpopulosos, não morre “ninguém”

  • Kenny smash

    O cara filmando perto demais, se esse bicho explode não sobra nem a ossada.

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