Portfólio: você ainda vai ter um

A fotografia é um hobby que contamina totalmente as pessoas. O indivíduo começa com uma compacta e logo quer evoluir em técnica e equipamento. Alguns anos depois ele tem a forte convicção que ter uma lente 200mm f/2,8 é muito mais importante do que pagar a hipoteca da casa ou comprar o remédio para o coração. Seguindo essa mesma linha, logo percebemos que ter nossas fotos apenas no computador é diminuir a menos da metade o seu verdadeiro potencial. Sei que milhares de pessoas ao redor do mundo mantêm portfólios virtuais no flickr ou no picasa, mas os mais evoluídos passam a perceber que isso não é suficiente. Quem já comparou uma foto impressa com sua cópia no monitor do computador sabe do que estou falando. Quando impressas as imagens ganham vida nova, sem falar do impacto visual das cores e a sensação de que sua obra se materializou em alguma coisa, e não apenas em dados dentro do seu computador. Outra grande vantagem é poder levar suas fotos para qualquer lugar e mostrar para qualquer pessoa, sem a necessidade de ligar notebooks ou ficar passando endereços complicados de álbuns virtuais. Para você que está pensando em montar o seu primeiro portfólio, aqui vão algumas dicas básicas.

O primeiro grande passo para poder ter suas fotos em papel e com qualidade é aprender um pouco de edição de imagens. Quando falo em edição de imagens não estou dizendo que você tem que ser um mestre do Photoshop e nem mudar drasticamente elementos de suas fotos. Por melhor que seja sua câmera fotográfica, ela pode errar e não entregar um produto com o máximo desempenho. Regulagens de níveis, saturação, contraste e brilho podem e são necessárias. Quem conhece um pouco de edição sabe que um bom equilíbrio na ferramenta níveis já é responsável por uma incrível transformação na foto. Sem falar que suas preferências pessoais têm que ter destaque na edição. Eu, particularmente, gosto de carregar nas baixas luzes. Para mim é um efeito agradável. Você pode até dizer que é uma intervenção na realidade que a foto expressa, mas quanto antes você entender que a fotografia não é uma representação da realidade, e nunca foi, e sim a expressão da visão do fotógrafo, mais cedo você vai ser feliz dentro dessa arte.

O segundo passo, e mais complicado, é encontrar um bom laboratório para as revelações. Aliás, no caso da fotografia digital, o termo revelação é usado de forma errônea. O que temos é a impressão dos arquivos digitais, uma vez que a revelação, no caso das compactas, é feita pelo processamento interno da câmera ou pelo Photoshop quando estamos trabalhando com arquivos RAW. Mas, é difícil esquecer velho hábitos. O problema é que existem muitos laboratórios que não sabem o que estão fazendo. O sujeito investe R$ 200.000,00 em um minilab e nenhum centavo no treinamento do operador da máquina ou nas pessoas que vão atender você no balcão. O resultado é que eles conseguem atender apenas o público leigo. Qualquer exigência mais profunda não é entendida. Aqui existem duas opções. A primeira é levar a mesma foto a vários laboratórios e depois comparar o resultado das ampliações. Acreditem quando digo que vão existir grandes diferenças nos resultados. A segunda é consultar um fotógrafo de sua cidade e descobrir onde os profissionais entregam o seu trabalho para ser impresso. Minilabs que atendem profissionais também atendem amadores, mas possuem equipamentos bem regulados, usam produtos químicos dentro do prazo de validade e possuem um perfil de cor ICC personalizado (tema para futuro texto). É o típico lugar que ao chegar e dizer que você não quer correção e nem cortes na imagem, o atendente vai compreender o que você está dizendo. Depois que começar a levar suas fotos para imprimir, com o tempo você vai adestrando o seu laboratório para o objetivo que você quer atingir com suas imagens.

O terceiro passo é decidir qual o tamanho da foto a ser impressa. Se ficar apenas no tamanho 10x15cm é melhor nem começar. Não existe a menor possibilidade de admirar ou demonstrar os detalhes de uma imagem em um tamanho tão pequeno. Já diziam os grandes mestres que foto boa é foto grande. Para mim, o menor tamanho a ser considerado é o de 20x30cm. Porém, em tempos digitais, existem algumas considerações a serem feitas. Em primeiro lugar, os sensores das câmeras compactas trabalham em uma proporção diferente das fotografias feitas com filme 35mm e, infelizmente, os tamanhos mais comuns de impressão ainda são oriundos da época do filme. Tentar encaixar uma foto feita com câmera compacta em uma impressão 20x30cm leva a uma perda considerável da imagem. Você pode pedir para imprimir sem cortes, o que vai gerar uma faixa em branco na foto, ou ajustar você mesmo na hora da edição, escolhendo qual zona vai se perder. Outra opção é trabalhar com um tamanho diferente de impressão. Para câmeras compactas o formato 20x25cm é mais próximo da proporção do sensor, onde a perda de informação será bem menor. O formato 20x25cm possuí uma proporção diferente porque foi pensado para a revelação dos filmes de médio formato, que são mais quadrados do que retangulares. Outra escolha a ser feita nessa etapa é o tipo de papel. Os mais comuns são o fosco e o brilhante. Aconselho a escolher o fosco. Além de não sofrer tanto com marcas de dedo, o papel fosco tem a capacidade de disfarçar um pouco o ruído das fotos na hora da impressão. Lembrem-se de pedir ao atendente do laboratório para não fazer correções nas fotos, pois você já às fez. Como a maioria do público leigo não executa essas correções, o operador do minilab aplica correções automáticas em todas as fotos.

O último passo é escolher onde guardar as fotos. Existem diversos tipos de álbuns voltados para a criação de portfólios. Alguns mais simples e outros mais sofisticados. Porém, o importante é que suas fotos fiquem bem protegidas e sejam facilmente acessadas pelo observador. Aqui, o que vai determinar a escolha é o seu poder aquisitivo. Eu uso um da Foto Album Universal em forma de pasta e feito em couro sintético. Ele custa em torno de R$ 50,00 e suporta até 80 fotos em tamanho 20x30cm ou 20x25cm. Lembrando que as folhas de plástico para colocar as fotos são compradas separadamente.

Sei que pode parecer um investimento um pouco sem sentido para quem não é profissional, mas garanto que vale a pena. Talvez não pelo retorno financeiro, mas pela satisfação pessoal. Depois do álbum comprado, o investimento mensal é muito pequeno, pois somente as melhores fotos vão para o portfólio. A visão que você tem de sua produção fotográfica vai mudar totalmente depois de ter o produto da impressão em suas mãos.

Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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  • Alguns anos depois ele tem a forte convicção que ter uma lente 200mm f/2,8 é muito mais importante do que pagar a hipoteca da casa ou comprar o remédio para o coração.

    E não é? 😕 😕 😕

    Cassio R Eskelsen

  • rauflin

    …quanto antes você entender que a fotografia não é uma representação da realidade, e nunca foi, e sim a expressão da visão do fotógrafo, mais cedo você vai ser feliz dentro dessa arte.

    Nunca parei pra pensar desse modo, tinha o preconceito de que o profissional deveria estar sempre bitolado à realidade. E realmente, por isso há fotógrafos e fotógrafos.

  • 1) Gilson. Gostei muito de teus textos e pretendo acompanhar esta coluna com frequência. Parabéns.

    2) “Alguns anos depois ele tem a forte convicção que ter uma lente 200mm f/2,8 é muito mais importante do que pagar a hipoteca da casa ou comprar o remédio para o coração.”
    Cuidado: Vícia mesmo… Quem sabe que não se controla e não tiver a fim de correr esse risco melhor pegar uma S100fs ou FZ28 e abrir mão das vantagens das DSLR…
    😉

    3) Uma OBS: Tenho minhas dúvidas se o processo de ‘passar para o papel” as fotos não seria revelação em vez de impressão. O que ocorre dentro da máquina é uma projeção da fotografia (como em um datashow) sobre um papel fotográfico que é posteriormente revelado. E, nos tempos de filme, chamava-se revelação tanto o processo químico que revelava o filme, quanto o processo seguinte que passava a imagem do filme para o papel através do ampliador (e mais atualmente dos minilabs que antecederam os atuais minilabs digitais).

    4) Uma opção interessante de portfólio é o fotolivro, porém com a desvantagem de que as fotos não podem ser adicionadas aos poucos. Seria mais indicado para quem produz muitas fotos e desejar organizar seu portfólio em volumes anuais ou semestrais. Nesse caso, e havendo “tutu” pra investir, seria necessário aguardar o fim do ano ou semestre para ter impressas suas melhores fotos do periodo em questão.

  • Jordana

    Gostei muito da dica, já estava pensando em selecionar algumas fotos até para ver a evolução da técnica, estilo, opinião de outras pessoas. Vai ser muito divertido montar o primeiro, acho que seria melhor um fotolivro também, vou juntar o dindin!

    Jordana Luck

  • Pingback: MeioBit (10 Anos) e a Fotografia()

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