iPhoto 2009 – impressionantemente humano

Um imperativo essencial para qualquer criatura é saber reconhecer outro indivíduo da mesma espécie. Assim nossos filhotes não correm para abraçar cobras e tigres, os que fazem isso em geral não deixam descendentes. Como toda característica realmente útil a capacidade nata de reconhecer rostos evoluiu muito, somos capazes de identificar outros humanos com muito pouca informação visual.

Essa capacidade chegou a um ponto onde vemos rostos humanos onde eles sequer existem, o que é um fenômeno chamado pareidolia.

Pareidolia: Um tipo de ilusão envolvendo um estímulo vago ou obscuro sendo percebido como algo claro e distinto – The Skeptics Dictionary

É o fenômeno que gera Jesus em uma Torrada ou o caso brasileiro da Nossa Senhora do Veja Multi-Uso, mas nem de longe a pareidolia está restrita a casos religiosos. O pessoal racionalista costuma atacar os religiosos dizendo que eles QUEREM ver suas divindades nas aparições, mas em realidade é involuntário. A INTERPRETAÇÃO depende do fator cultura/religioso, mas a capacidade de VER algo ali está impregnada nos nossos genes.

Não creio que a imagem abaixo esteja relacionada com alguma igreja:

Mesmo assim TODO humano vê um rosto na foto. Agora veja a imagem abaixo:

Alguns vêem a Virgem Maria, eu vejo a Bettie Page. Quem está certo? A dona da torrada, que a vendeu por US$28 mil.

O que era uma capacidade extremamente complexa, o reconhecimento de rostos, está sendo usado em computadores, a ponto de chegar às nossas casas. O iPhoto 2009, da Apple, apresenta um recurso onde você identifica uma pessoa, dizendo “Este é o Moardib” e o programa varre sua biblioteca de imagens, procurando por rostos iguais ou semelhantes, marcando as fotos com tags e indicando onde aquela pessoa se encontra.

É um recurso excelente. Imagine, você pode mandar o iPhoto procurar por todas as fotos daquela prima que sua namorada não deve saber da existência, e movê-las para um diretório seguro, ou um pendrive providencial.

Só que não pára aí. O iPhoto 2009 está apresentando casos de… pareidolia.

Vejam esta imagem:

O iPhoto identificou corretamente o filho do Professor Falken, mas também uma… face desconhecida. É impressionante. Olhando com atenção dá para ver um rosto ali. Mas para nós é fácil, são milhões de anos de evolução aperfeiçoando essas capacidades. O iPhoto 2009 tem 1 ano de vida.

Há muito pouco ali, o tal rosto desconhecido ainda parece estar em ângulo, mesmo assim o algoritmo conseguiu identificá-lo. Estamos vendo um programa de computador imitar um comportamento altamente complexo, subproduto de um processo evolucionário igualmente complexo. É como se programássemos um computador para falar e ele começasse a fazer imitações.

Como programador, eu digo: Se um programa meu tem um comportamento desses a primeira coisa que faço é jogar os braços pra cima e gritar, no meio de uma gargalhada maníaca: “It’s alive!”

Para mais exemplos de pareidolia, visite este blog.

Fonte: The Questionable Authority, via dica do Brontossauros em Meu Jardim

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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