E por um momento o Michael Bay esteve correto

Bum!

Michael Bay é um cineasta que não deixa a realidade ficar no caminho de uma boa história, ou mesmo de uma história ruim. Ele não tem pudor nenhum em sair chutando “fatos”, com resultados ridículos. Em Transformers um robô europeu virou obra da NASA, e no último filme da série os personagens vão do continente para Hong Kong via uma ponte, que não existe.

De todos os absurdos dele talvez o maior esteja em Pearl Harbor, um filme que viverá na Infâmia. A única coisa boa que esse filme rendeu foi a música em Team America. Sim, falo da cena acima, a infame bomba vertical.

Quando você lança uma bomba de um avião entra em ação algo chamado inércia. Ela está se movendo na mesma velocidade que a aeronave, e tentará manter essa velocidade. Claro, a resistência do ar faz com que ela diminua rapidamente, por isso a trajetória de uma bomba em queda livre é uma meia parábola. Por isso também é tão difícil acertar algos em simuladores da 2ª Guerra, a gente tem que calcular quando e onde a bomba vai cair, de acordo com nossa altitude e velocidade.

Veja uma bomba saltadora (dando errado) como acompanha a velocidade do avião:

WH33C

Aqui de forma mais didática e menos dramática:

pap

Entendeu? A bomba do Michael Bay (o artefato em si, não o filme) cai de forma completamente irreal, cai na vertical assim que se desprende do avião japonês. É uma afronta às Leis da Física, tal qual o filme é uma afronta a tudo que o Cinema tem de bom.

Mesmo assim em um momento na Guerra foi exatamente assim que as bombas se comportaram.

Tudo começou quando em 1941, antes mesmo de Pearl Harbor (o ataque, mas tecnicamente do fllme também) a Marinha dos EUA começou a experimentar com detectores de anomalias magnéticas, para localizar submarinos. A idéia — correta — era que um barco enorme de metal, submerso geraria uma alteração no campo magnético da região. Aviões Catalina foram equipados com esses detectores, mas aí apareceu outro problema.

Como o avião estaria voando baixo e rápido, mesmo que soltassem as bombas no momento em que detectassem o submarino inimigo a inércia faria com que elas seguissem a trajetória da aeronave, explodindo de forma inofensiva dezenas ou mesmo centenas de metros adiante do alemão. Ou japonês.

A solução? Isto:

bombabomabomba

São bombas com retrofoguetes. Quando acionadas os foguetes propulsionam a bomba na direção oposta à do avião, consumindo toda a velocidade horizontal. Com isso elas caíam na vertical, como pedras. Ou bombas. Um bom número de submarinos nazistas foi afundado com bombas assim, mais de 50 mil foram construídas.

Uma forma bem prática de visualizar esse efeito foi feita pelo pessoal do Mythbusters. Eles foram testar se era possível disparar uma bola de futebol de um canhão se movendo na mesma velocidade, que o projétil, mas em sentido oposto, e se com isso a velocidade seria anulada. Veja o teste:

Frank Noschese — Mythbusters – Soccer Ball Shot from Truck

Sim, mito confirmado. Ciência é algo muito legal, só o Michael Bay não entende isso.

Fonte: Reddit e tio Sam [cuidado, PDF].

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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