O Vale da Estranheza

O termo “Vale da Estranheza” foi criado em 1970 pelo engenheiro de robôs Masahiro Mori, e define um conceito complicado de provar cientificamente mas que é simples de exemplificar. Peguemos dois robôs conhecidos:

starwars

R2D2 e C3PO. Simpáticos, adorados por milhões de fãs. Ninguém se sentiria incomodado ou desconfortável na presença deles.

Agora peguemos outros robôs conhecidos:

cilonias

Você pode até não gostar das cilônias de Galactica por a) não gostar de mulher ou b) saber que elas são assassinas psicopatas genocidas. Mas tirando essa pequena falha de caráter (ou programação) ninguém fica desconfortável perto delas. São idênticas a humanas normais, se humanas normais fossem como a Número 6.

Então temos robôs não-humanóides, robôs claramente mecânicos e robôs indistinguíveis de humanos. Está seguindo?

Agora veja o Jules:


Assustador, não?

jules3

Há algo de estranho. Nossa percepção nos diz que ele é humano, instintos e sentidos que evoluíram por milhões de anos para nos fazer reconhecer outro de nossa própria espécie dizem que há algo errado, mas como essa percepção é no nível subconsciente, não adianta sabermos que é um robô. É como entrar em uma caverna escura que sabemos estar vazia, ou andar na beira de um despenhadeiro com uma corda de segurança. O instinto fala mais alto.

O Vale da Estranheza é essa área entre o robô perfeitamente humano e o quase humano. Todos os robôs que caem nessa região são mal-recebidos. Deixamos de lado as virtudes técnicas para dizer o quanto eles nos causam desconforto.

E isso não tem nada a ver com a “índole” do robô. O Arnold bonzinho com parte do crânio metálico exposto é mais assustador que o T1000, mesmo este parecendo completamente humano e vilão.

Esse efeito vale inclusive para animação. Filmes que tentam criar personagens humanos e falham quase sempre têm essa característica, do Vale da Estranheza. Ex: O Expresso Polar.

polar_express_01

A Pixar sabe disso, e seus personagens raramente são humanos. Quando são, como o Andy, em Toy Story, são “cartunescos”. A Dreamworks quando quer, acerta. Os humanos de Shrek seguem a linha “cartoon”. Em Wall-E temos uma mistura que a Pixar tentou e deu certo: os humanos em vídeos são atores (humanos) de verdade, os em animação são cartoons.

Então os criadores de robôs têm uma tarefa complicada: se quiserem criar robôs humanóides só poderão os tirar do laboratório quando estiverem muito, muito avançados, e isso implica enganar um cérebro que faz esse reconhecimento quase no momento em que sai do útero. É uma tarefa inglória. Afinal até o garotinho-robô de Inteligência Artificial, por mais humano que fosse, gerou desconforto na platéia.

Texto inspirado neste post do Cracked.

Relacionados: , , ,

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

Compartilhar

Aproveite nossos cupons de desconto:

Cupom de desconto Asus, Cupom de desconto Frio Peças, Cupom de desconto Mundo da Carabina, Cupom de desconto JBL, Cupom de desconto Costa Cruzeiros, Cupom de desconto Loja do Mecânico, Cupom de desconto Staples