Não deixe que seus filhos assistam “Big Buck Bunny”!
Que o open movie está a caminho, todo mundo já sabe. Quem acompanha a produção desde o início também sabe que o “Big Buck Bunny”, do projeto Peach, (como foi seu antecessor Orange, que deu origem ao “Elephants Dream“) não tem nada de “Oh, vamos pegar nossas foices e martelos e revolucionar o mundo através da cultura livre!”: é um esforço coordenado para criar um filme, obviamente, mas principalmente desenvolver as ferramentas do Blender enquanto uma equipe de profissionais mete a mão na massa – o filme é só uma desculpa.
O projeto está com seu cronograma um pouco atrasado devido a uma série de problemas, descritos por Ton Roosendaal (chairman da Blender Foundation) numa lista um tanto quanto engraçada, e que pode ser vista nesta postagem no blog do Peach. Mas a premiere foi em Amsterdã, pontualmente no dia 10, como havia sido anunciado, e estará disponível para compra e download a partir do dia 15 de Maio.
Por conta do filme, parte da equipe do Peach esteve em um programa de televisão, foram pauta de revistas, entre outros. Entre esses “outros”, Ton Roosendaal esteve numa conferência que aconteceu logo depois da premiere, e que discutia justamente a tal da cultura livre. Infelizmente, na comunidade open source sempre tem um que quer transformá-la num comuna livre, já que open é diferente de livre, como bem definiu o ilustríssimo RMS.
Durante a discussão na conferência, um idio-, digo, indivíduo fez uma pergunta que simplesmente não precisava ser feita: Por que as produções open source não podem ficar longe do uso da violência, posto que violência só gera violência?

Como se pode perceber por esta imagem, o filme produzido pela Blender Foundation é uma verdadeira ameaça, um incentivo às práticas criminosas
Anthony McCan, o politicamente correto que fez a pergunta poderia receber uma bela resposta do tipo “Wrong and dumb question! STFG!”, mas Ton deu uma resposta melhor: a liberdade criativa e as potencialidades do Blender vêm em primeiro lugar. Em outras palavras, o software é uma ferramenta e deve dar toda a liberdade possível para o criador, seja para este fazer um filme com coelhinhos rosa fofinhos ou uma animação realmente bárbara e sanguinolenta.
Sacha Goedegebure, que escreveu sobre o assunto no blog do projeto, finalizou seu texto de maneira brilhante: “Crescer num mundo violento não é brincadeira, mas o que mais me preocupa é que algumas dessas pessoas desse mundo não conseguem distinguir violência real da violência dos cartoons que conhecemos de Looney Tunes e Tom e Jerry… e logo conheceremos do Big Buck Bunny”.
Fonte: Peach

