Rússia aproveita escândalo da NSA para tentar controlar a internet (mais ainda)

Rússia

Crédito da imagem: We Know Memes

Quem foi rei nunca perde a majestade, e outros chavões do gênero, se encaixa muito bem nessa história. A Rússia, nos tempos da União Soviética, controlava a vida de todos e tinha provavelmente o melhor serviço de espionagem do mundo.

O tempo passou, o comunismo acabou, mas a sede de controle continua lá.

Os russos estão usando a presença de Snowden, a persona non grata mais non grata de que se tem notícia nos últimos anos, para tentar mais uma vez aumentar o controle sobre a internet.

Dois membros do parlamento russo citaram os “vazamentos” de Edward Snowden sobre a espionagem da NSA (a famigerada agência de segurança norte-americana, que entre outras coisas tem uma lista de tudo que você assistiu no Xvideos) como motivos para obrigar empresas globais como Google, Facebook e Microsoft a obedecer regras russas de armazenagem de dados.

Ruslan Gattarov, membro do parlamento russo, declarou em entrevista:

Nós precisamos colocar rapidamente essas grandes empresas transnacionais como Google, Microsoft e Facebook, sobre controle nacional. Essa é a lição que Snowden nos ensinou.

Nos Estados Unidos, os documentos que Snowden divulgou mostraram como essas empresas cooperavam com as práticas da NSA.

Empresas de tecnologia que operam na Rússia estão acostumadas a receber intimações legais para fornecer dados de usuários, e não têm muitas maneiras de lutar contra isso, por causa das leis russas.

O que aguçou a raiva russa, no entanto, foi a cooperação de várias empresas norte-americanas com a NSA na interceptação de ligações telefônicas e emails, através do programa Prism, coisa que os russos tentam há anos sem muito sucesso com seus cidadãos.

Em resposta, Gattarov formou um comitê para lidar com o assunto.

Com o objetivo aparente de proteger a privacidade dos cidadãos russos, o comitê fez reviver uma aspiração antiga russa, de transferir o controle da internet e do registro de domínios para um braço das Nações Unidas, a União Internacional de Telecomunicações.

O comitê também recomendou que a Rússia exija que empresas estrangeiras obedeçam sua lei de privacidade de dados, usando criptografia licenciada pelo Serviço de Segurança Federal (em outras palavras, a versão atual da KGB).

Sergei Zheleznyak, parlamentar do partido de Vladimir Putin, foi mais além: ele quer que serviços de email e redes sociais mantenham seus dados em servidores russos, onde poderiam ser acessados por mandados de busca locais.

Como você já deve ter notado, os russos querem aproveitar o barulho para tentar controlar tudo que circula na internet (colocando o controle da mesma nas mãos da “inocente” ONU), no que tem o apoio de nosso glorioso ministro das relações exteriores, Antonio Patriota, que apoiou a ideia em recente visita à Rússia.

A KGB 2.0 já demonstrou seu poder sobre empresas de tecnologia russas, quando ordenou que o Yandex, maior site de buscas russo, revelasse quem havia feito doações online para o líder da oposição, Aleksei A. Navalny. Por uma incrível coincidência, essas pessoas receberam telefonemas ameaçadores de um grupo de jovens do Kremlin.

Fonte: The New York Times

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Autor: j. noronha

Blogueiro em tempo integral e gênio nas horas vagas.

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