Tecno-Proctologistas tiram números de lá e preveem 10 milhões de óculos inteligentes em 2016

Walter

A instituição do ciclo de notícias de 24 horas foi cruel nas redações, mas o pior efeito foi sentido na Internet. Não podemos nos dar ao luxo de aproveitar um dia sem grandes notícias. Sites especializados precisam de matérias bombásticas, revelações e reviravoltas diariamente, quase como uma telenovela.

Isso estimula a indústria dos boatos, mas mesmo esses já perderam a eficácia. Ninguém liga mais pro relógio da Apple, pro iPhone de tela grande ou o Samsung de 3,14 polegadas redondo. O negócio são números. Em uma indústria que se renova anualmente e onde tudo pode mudar em seis meses, há gente especializada em chutar estimativas de mercado para cinco anos, mas agora se superaram.

Os desocupados de um tal IMS Research estão fazendo projeções sobre o Google Glass, um produto QUE A RIGOR NÃO EXISTE E ESTÁ A UM ANO DE SER LANÇADO.

Por enquanto ele é absurdamente caro. US$ 1.500,00 é uma etiqueta de preço indigesta, existe inclusive a possibilidade do Google decidir que não vale o esforço e enterrar o projeto. Existe a possibilidade do público não ver utilidade, ainda mais nesse preço, e ignorar o produto.

A realidade é que o Glass é um disruptor. Nunca na história da tecnologia um produto angariou tanto ódio gratuito. Há gente apontando o fracasso pois em modo filmagem a bateria (do protótipo 1 ano antes do lançamento) só dura meia hora. Lojas e bares estão proibindo o uso do equipamento em suas dependências. Para o bem ou para o mal o Google Glass demonstra potencial para mudar tudo.

Só que potencial por si só não quer dizer nada. Ainda não se sabe a faixa de preço final, não se sabem quais recursos estarão disponíveis, não se sabe se a compatibilidade será com Android apenas ou abrangerá outros celulares, não se sabe nem se um meteoro cairá em Mountain View acabando com o projeto de forma espetacular.

Mesmo assim, estimam um crescimento de 50 mil unidades vendidas em 2012 para 6,6 milhões em 2016, acumulando 9,4 milhões de unidades imaginárias vendidas no período de 3 anos. Baseados em quê?

Em nada. Assim é fácil fazer jornalismo de tecnologia. Inventa-se uma projeção de vendas de um produto inexistente, um monte de sites replicam a notícia, cumprem suas cotas de SEO, agradam o publico-alvo (o robô do Google) e vão dormir felizes.

Outros gastam 2.511 caracteres criticando a nãotícia, dando a ela o mesmo espaço que os sites que a levam a sério, e no final nenhuma informação real é passada para o leitor.

Se eu tivesse um mínimo de decência humana, pediria desculpas.

Fonte: CN.

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  • Samuel Santiago

    “Outros gastam 2511caracteres criticando a nãotícia, dando a ela o mesmo espaço que os sites que a levam a sério, e no final nenhuma informação real é passada para o leitor.

    Se eu tivesse um mínimo de decência humana, pediria desculpas.”

    perfeito… merece meus elogios… uahuhahuahuahuhua

  • Edmilson_Junior

    “Mesmo assim, estimam um crescimento de 50 mil unidades vendidas em 2012 para 6,6 milhões em 2016, acumulando 9,4 milhões de unidades imaginárias vendidas no período de 3 anos. Baseados em quê?” Acho que perdi 3 milhões nas contas ai.

    • mackanov

      2013, 2014, 2015…

      • Edmilson_Junior

        Se o crescimento é de 50 mil unidades e não de um milhão por ano o calculo continua não batendo.

        • Tanato Cartaxo

          A interpretação de texto aí tá meio difícil hein?

          O valor do dólar subiu de R$2,00 semana passada para R$2,10 hoje, chegando a ter picos de 20% de aumento durante o período.

  • Guest

    Haters gonna hate..

  • ClaudioLisboa

    Verdade. A idéia do minuto a minuto é que ferrou com tudo.
    Até a página do El País é repleta de “inutinews”. Ficam os focas caçando e inventando notas de tudo que é genero. 70 por centos das chamadas dos grandes portais do mundo levam o leitor ao erro. Apelação pura, só pro otário do leitor clicar no link. Pior que as verdadeiras notícias acabam se perdendo no mar de inutinews.
    No tema tecnologia de massa, sem entrar em detalhes, a coisa anda tão parada que não é toa que, hoje, a industria vive de boatos. Na prática, as grandes inovações que as industria tem pra oferecer se refere a definições de camera, tela e processador… ou seja, mais do mesmo.

    • http://www.crashcomputer.tk/ Gradius

      Abaixo da linha do equador… UOL???

      • ClaudioLisboa

        É… Taí um exemplo perfeito.

  • Gabriel Arruda

    O seu texto é MUITO necessário, as pessoas acreditam cegamente nessas pesquisas sem avaliar nada. Basta colocar que foi uma “agência”, um “analista” ou “University City of São Paulo” e pronto.

  • http://ceticismo.net/ Pryderi

    (Dando gargalhadas com a última frase)

  • http://wardzdesouzatv.wordpress.com/ Ward´z de souzA

    Pois é!

  • Marcus Sant’Anna

    Com ou sem óculos esses wearable são um caminho sem volta . Tão inevitáveis e aceites que a sociedade já proibiu o uso em alguns lugares antes mesmo de serem lançados!
    Mudando de assunto, enquanto a mídia especializada brasileira se parece mais com um facebook (lixo, ctrl c, ctrl v), a revista de vocês é a única que produz de fato informação. Meio Bit FTW!

    • Lucas Timm

      Não sei, tem gente que ainda acha os filmes 3D a segunda maior revolução desde que inventaram o cinema…