Digital Drops Blog de Brinquedo

Tradutor para linguagem de sinais: Genial. Ou não?

Por em 15 de setembro de 2007
emMiscelâneas
Mais textos de:

  • Felipe Fernandes

    Não sei se você sabe Carlos, mas muitos surdos e/ou mudos não sabem ler nem escrever, não por falta de ensino, e sim que pra eles é muito difícil.

    • mudinveins

      Exatamente o que eu ia comentar. Estudo com uma pessoa com esse tipo de dificuldade e ela não consegue entender sentenças mais elaboradas, algumas figuras de linguagem entre outras coisas.
      (eufemismo ftw)

      cut through the way
      cut through the way

  • http://www.ondetemonda.com ErickX

    Você sabia que existe entidade brasileira chamada Acessibilidade Brasil que possui um projeto (infelizmente muito lento) que tem algo melhor que isso da IBM? Você fala e a boneca traduz, em tempo real, para lnguagem de sinais. Eu fiz parte um tempo dessa entidade “pseudo-não-governamental” e pude ver de perto esse brinquedinho funcionando. Experimentei diretamente com uma de nossas “pesquisadoras surdas” e pude comprovar, a parada eh PHODA!!! :D

    Ponto para os brasileiros ;)


  • EuTambem

    Também tinha pensado como o Cardoso no início, mas aí me lembrei que também devem haver surdos/mudos analfabetos para os “nossos” caracteres tradicionais.

    É o tipo da coisa que basta pensar um pouco antes de sair criticando a idéia.

  • http://[email protected] Anônimo

    Bem, há dois problemas aqui:

    1 – Sejamos realistas, o que um sujeito com um celular topo de linha e acesso a um serviço desses vai querer falar com um surdo-mudo analfabeto de pai-e-mãe?

    2 – Se o cara não sabe ler nem escrever, qualquer tecnologia dessas é DANOSA. Ele deve ser alfabetizado, e não tratado como um coitadinho inútil aleijado que precisa de babás.

    Uma vez peguei um táxi aqui no Rio. O motorista estendeu um cartão. “sou deficiente auditivo. Por favor escreva o endereço neste bloquinho”. Se esse cara tivesse sido alvo dessas tecnologias paternalistas, estaria pedindo esmola ao invés de trabalhando e provendo para sua família.

    PS: Ele tinha celular, os clientes marcavam corrida por SMS.

  • EuTambem

    1 – Talvez seja a mãe ou o pai de uma criança surda-muda em idade pré-escolar. Talvez estes pais queiram saber como esta criança está. O jeito que a criança vai se comunicar, sendo analfabeta e muda, é outra história. O que não invalida que surdos-mudos adultos e analfabetos necessitem de comunicação com quem quer que seja, talvez enquanto estejam cursando um supletivo, quem sabe? Você sabe?

    2 – Nesta parte, concordo com você. Mas enquanto este mundo ideal não chega, a tecnologia pode dar uma forcinha.

  • wilche

    Os caracteres alfabéticos são representações de fonemas…
    Imagine para você contextualizar uma frase se vc não ouve e consequentemente não tem uma referência adequada para emitir o fonema! De forma beeeem simplificada é mais ou menos o equivalente de comer sem ter paladar… você pode até comer mas não vai ter tanto incentivo para fazer isso.
    É mais ou menos isso que acontece com surdos. São pessoas inteligentíssimas e capazes de muitas coisas… mas que por conta da deficiência tem dificuldades em analisar textos escritos.
    Eu acho que teria muita utilidade :-)
    Só é uma pena que haja tantas variações de linguagens para surdos nesse mundo! LIBRAS (linguagem brasileira de sinais), ASL(american sign language) entre outras… Ai teria que implementar um algoritmo/banco de dados diferente para cada uma delas!

  • http://blog.diovani.com diovani

    Concordo com o Carlos…
    E desculpem meu ponto de vista, mas acho que analfabetismo não é uma opção.

    Também não tal aplicação muito útil, acho que serve bem como uma prova de conceito, por ser interessante, e não pelo uso em si.

  • http://davis.blog.br davidsonsousa

    Eu acho que essa é apenas a ponta do iceberg. Dá pra surgir muita coisa bacana disso aí.

    Exemplo: Interpretar o texto do teleprompter de um jornal e o avatar mostrar na TV enquanto a notícia é apresentada. Hoje tem o closed caption mas levando em conta que muitos surdos/mudos não são alfabetizados e nem todas as TV’s tem…

    Só ter paciência, depois melhora. ;-)

    http://davis.blog.br

  • zumbertinho

    Gente o analfabetismo em surdos/mudos não é por falta de opção e não é apenas por ser difícil para eles, mas também pq a comunidade dos surdos/mudos preza muito pelos valores culturais deles, muito devido a opressão q eles sofreram, etc… a maioria deles acha um absurdo ensinar surdo a falar atraves de treinamento com movimentos da boca, implante para os surdos ouvirem (apesar d muitos usarem), ou a ler e escrever (antigamente existiam até castigos fisicos para um surdo q fosse pego usando a lingua dos sinais).. A dificuldade nao é só a do alfabeto ser a representação dos fonemas, mas também da estrutura lógica da comunicação deles.. vai explicar prum surdo o q é um artigo vai.. entra na página do orkut de um surdo, você vai ver na descrição: Eu comida japoneza gosta. Uns trocos assim. Cheio de erros de ortografia e sem uma ordem gramatical boa.

    Eu também acho q pra sobreviver no mundo de hj em dia tem q investir na educacao desse pessoal e na inclusao do mundo dos ‘ouvintes’ (como eles chamam).. agora vcs nao podem ignorar esses fatores da cultura deles..
    Esse pessoal enfrenta muitas dificuldades, sendo ouvinte nao da pra ter uma nocao delas.. muito boa essa iniciativa da ibm, mostra respeito pela cultura deles.

    • http://[email protected] Anônimo

      “cultura deles”? Cara, não estamos falando de um Muçulmano, um Hindu ou um klingon, estamos falando de um sujeito que não escuta. Se ele acha que isso é o bastante para definir uma “cultura própria”, que vá catar coquinho! Daqui a pouco vão querer cotas, embaixadas, reparações por opressões do passado…

      http://www.contraditorium.com

      • zumbertinho

        Meu…………
        ….. eu nao sei o q é klingon :´(

        Anyway, realmente existe mta gente por ai q exagera talz, essa historia de cotas eh uma bela duma bobagem, pega o bestinha la q nao tem preparo nenhum e joga numa faculdade é coisa de quem comeu coco, agora vc ta falando de uma controvérsia q ja existe a mto tempo.. não dá pra tratar esse assunto tao superficialmente desse jeito cara.. quer dizer entao q se os muculmanos quiserem fazer cotas, etc, entao eles estao num direito maior do q os surdos? ce tem q analisar a necessidade talz, nao da pra pesar cultura, q alias nao tem nem discussao se eles tem cultura ou nao, é obvio q eles tem uma cultura e bem complexa por sinal. Ce tem q ta sacando mais de um assunto pra poder fazer esse tipo de comentario.

        Malz nao estou fazendo flaming, soh acho q o buraco é mais embaixo =P
        ps. acabei de descobrir o q é klingon AFFFFERSONNNNNNNNNN
        já imaginou cotas para klingons? =P

      • marlonbraga

        Muita gente (mas muita gente mesmo) pensa que linguagem de sinais é o mesmo que português sinalizado, o que não é. A Libras (Lingua Brasileira de Sinais) é um idioma próprio. Tem gramática própria, gírias, verbos auxiliares e o escambau. É uma lingua que se cria naturalmente, o que faz com que as linguas de sinais de paises diferentes sejam diferentes entre sí. Os surdos de Portugal nao sinalizam igual aos surdos do Brasil ou dos EUA e assim por diante.

        Portanto muita gente nao se da conta que para os deficientes auditivos o portugues é na verdade um segundo idioma. Nao é que eles sejam analfabetos. Na verdade eles nao sabem o idioma portugues. Aprender a ler e escrever na lingua portuguesa para eles é como aprender frances pra nós. Só que pra eles é mais dificil pois nao tem referencia auditiva do mesmo.

        Grupos de surdos se formam em escolas, cursos, etc. formando sim, uma comunidade unida pelo idioma, que é um vínculo muito forte.

        Concordo plenamente que eles devem se integrar na sociedade, aprendendo o portugues (e nao apenas se alfabetizando), porem nem por isso devemos descreditar que eles tem uma cultura que é importante para suas vidas.

        Por mais que seja importante que saibam portugues, evidentemente é muito mais “confortável” para eles “ler” os sinais que texto, assim toda tecnologia nova nesse sentido é sim muito interessante, já que não há muita inovacao tecnológica surgindo por aí pensando neles. (interessante a ideia do colega que mencionou unir essa tecnologia com o teleprompter dos noticiarios para ser alternativa ao closed caption)

  • http://magno-naval.blogspot.com magno

    A idéia é boa se servir para “traduzir” um programa em tempo real. A maioria dos canais não exibe legenda. A TV do surdo poderia servir para exibir legenda ou linguagem de sinais em tempo real através do reconhecimento de voz do som transmitido.

    A linguagem de sinais nunca é completa, sempre há uma palavra que não existe e então ela deve ser “soletrada” na linguagem de sinais. Isso requer que o surdo saiba ler e escrever, afinal se ele consegue soletrar, ele conhece as letras. É mais barato inclusive ensinar a linguagem dos sinais através de apostilas com diagramas, ao invés de deixar todo o processo com o professor.

    Se o surdo não sabe ler/escrever, só pode se comunicar com aqueles que sabem a linguagem dos sinais e para todos os efeitos é analfabeto. Só poderia realizar trabalho manual simples e teria muitas dificuldades em receber ordens.

    Um surdo letrado poderia receber ordens por MSN/WLM e por e-mail e não se distrai tão fácil com música, piadas e jogando conversa fora. Quase tudo na informática pode ser feito sem que você precise da sua capacidade auditiva completa.

    In a nutshell:
    Antes um surdo letrado que trabalha com tecnologia e não sabe a linguagem de sinais,
    que um surdo analfabeto que pede esmola no ônibus.

    • http://[email protected] Anônimo

      Antes um surdo letrado que trabalha com tecnologia e não sabe a linguagem de sinais,que um surdo analfabeto que pede esmola no ônibus.

      clap clap clap

      Tem um gringo que conheço de uma lista de discussão, trocamos mensagens desde o século passado. Um dia mandei umas fotos, ele pediu “dá pra descrever? é que eu sou cego”. O sujeito era um dos membros mais ativos da lista. Tinha um terminal braile, software de leitura de tela, e se virara melhor que 90% dos miguxos.

      Se uma tecnologia paternalista tivesse isolado o cara, ele nunca chegaria onde chegou.

      http://www.contraditorium.com

  • Felipe Fernandes

    Não estou relatando casos, estou relatando estatísticas gerais.

    Certamente na rua, trabalhando, etc. Você vai encontrar pessoas deficientes que conseguiram superar suas dificuldades.

    Agora vá a uma associação ou casa de ajuda para essas pessoas e veja quantas tem problema com a escrita.

  • http://www.ondetemonda.com ErickX

    Eu vejo essa tecnologia empregada em outros meios, como a TV. Onde surdos poderiam assistir a qualquer tipo de programa sem problema algum!

    Que mané “legenda”!!!


  • josepuerta

    Cardoso,

    Desse assunto eu entendo um pouquinho, pois dou aulas a surdos.
    Na realidade, a maioria dos surdos ” entende ” o português como um indio. Um surdo que seja alfabetizado em português tem, certamente, capacidade de ler um texto SIMPLES escrito no visor de um celular. Desde que ele CONHEÇA a palavra escrita. Explicando melhor: escreva uma palavra qualquer, “andando”, por exemplo ,e mostre a um surdo. Se ele estiver entre os poucos surdos no Brasil que tiveram acesso a uma educação de qualidade e adaptada a sua surdez, é capaz até de saber o que é “andando”. Mas aposto que, em um grupo de 10 surdos, no mínimo 8 não vão fazer a menor idéia do que é. E estamos falando de surdos alfabetizados.
    O surdo “fala” em libras – Lingua Brasileira de Sinais. Em libras não temos conjugação verbal, ou seja: andar e andando são palavras que acabam significando a mesma coisa para um surdo, só que ele só “conhece” *andar*. Mostre o sinal de “andar” e ele vai saber o que é. Escreva “andando” e ele vai te olhar e dizer que não sabe o que é.
    Exemplificando mais ainda, agora com uma frase: ” Eu vou até a minha casa olhar televisão e pegar uma camiseta com a minha mãe”. Em Libras, você “sinalizaria” o seguinte: “EU – IR – CASA – MINHA – VER – TV – PEGAR – CAMISETA – MAMÃE”, com os sinais correspondentes a cada palavra. O surdo ” fala” assim. E, conseqüentemente ESCREVE assim. Dependendo do tema a ser escrito, você praticamente não consegue entender o que ele tenta dizer, sem pedir auxílio a um intérprete de Libras. E estamos falando de surdos alfabetizados. Lógicamente que temos surdos em faculdades e até como professores ( de outros surdos ) mas, mesmo eles tem certa dificuldade em se expressarem corretamente em português.
    Sem me alongar mais e aproveitando a deixa: estou em “dívida” com você, Cardoso… as camisetas dos blogs…. Em breve retomarei o projeto.
    Forte Abraço

  • brunocarlosjorge

    Apesar de serem mensagens mais antigas e já estarem idosas, achei interessante postar aqui meu comentário.
    Sou surdo. Exatamente aquele surdo que vocês chamam de surdo-mudo. Aquele que dizem ser analfabeto de pai e mãe. Eu uso a língua de sinais brasileira para me comunicar com todas pessoas a minha volta, inclusive com minha esposa, meu cachorro, minha família, meus amigos, as pessoas na rua, no meu trabalho, em todos âmbitos da minha existência eu uso a língua de sinais. Mas vocês a conhecem por linguagem de sinais dos surdos-mudos.
    Realmente se opressão e preconceito são ilusão que muitos cidadãos de nosso país e também de muitas partes do mundo nos acusam de produzir para requisitar reparação judicial, então esta página deve ser aquele sonho imaginário – bem registrado – que tanto esperávamos.
    Acredito que além de ser uma ilusão muito concreta, esta página é também uma oportunidade de informar a sociedade sobre as pessoas surdas, a partir de seus próprios pré-conceitos de mundo. A pré-concepção, a concepção prévia que as pessoas fazem sobre nós sem fundamentação científica alguma. Baseado no puro e absoluto senso-comum.
    Primeiro, não somos realmente nenhum muçulmano ou hindu. Mas somos uma coisa que eles também são. Humanos. Nós surdos também não entendemos porque é necessário existir 6.900 línguas no mundo, que pensamos serem linguagens. Linguagem portuguesa, linguagem inglesa, linguagem alemã, linguagem árabe, linguagem … Deu para perceber? Ninguém usa linguagem portuguesa, mas usa-se linguagem de sinais. Mesmo quando apontamos na legislação nacional, aprovada e reconhecida pelos parlamentares desta nação, “LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais”, ainda persiste na boca do povo “linguagem de sinais”. É extremamente difícil para o povo que ouve a expressão língua de sinais.
    Pensamos que as pessoas que ouvem são também analfabetas aqui no Brasil porque não lêem nada e o que supostamente não entendem, além de ter uma lesão no cérebro que as torna incapazes de reconhecer uma gramática espacial. Somente pessoas surdas conseguiram desenvolver certas regiões do córtex cerebral para processar uma gramática espacial como a das línguas de sinais, portanto para se usar a língua de sinais é necessário uma cirurgia reparadora afim de acrescentar conexões sinápticas que capacitem a pessoa que ouve a usar a complexa língua de sinais dos surdos. Deu para perceber? Quem disse que as pessoas que ouvem são superiores aos surdos? Quem disse que todos surdos são iguais entre si? Generalizar deveria até ser crime. Nenhum surdo cometeu genocídio em massa na história da civilização. Os ouvintes, sim. Lançaram inclusive bombas atômicas sobre cidades japonesas matando mais de 200 mil inocentes. Exterminaram 20 milhões de russos. Carbonizaram milhares dos 6 milhões de judeus. Então todas pessoas que ouvem são lunáticas, assassinas, deveriam ficar internadas em hospitais psiquiátricos(hoje não se pode dizer mais hospício, eles foram extintos), deveriam ser destruídas antes de acabarem com o planeta. Os surdos deveriam dominar, pois são pessoas afáveis, geniosas, educadas e conscientes das necessidades dos outros. Como fica este raciocínio?
    Será que podemos ser realmente tomados como exemplo geral – todos surdos são idênticos entre si, todos são analfabetos, todos são tão idiotas que não vale a pena investir neles? É perigoso existirem cotas – na verdade já existem, por exemplo 10% de vagas em concursos públicos – porque podemos ter nossos direitos respeitados, depois de terem sido negados por pessoas preconceituosas por milênios? Também temos preferência sobre as pessoas que ouvem nas filas de aeroportos, bancos, hospitais, lojas. É lei federal. Significa que as pessoas que ouvem são obrigadas a esperar na fila e nós podemos passar na frente. Mesmo não sendo deficientes físicos. E não se pode reclamar, é lei. Somente idosos, devido ao estatuto do idoso, têm direito de nos passar na fila. Se houver uma mulher grávida, ela fica onde está. Se houver um deficiente físico, não sou obrigado a deixá-lo passar na minha frente. Somente se existir um idoso. Existem muitos estabelecimentos que nos deixam entrar de graça – como boates, circos, shows, etc – pelo simples fato que supostamente, por preconceito mesmo, acham que não apreciaremos os espetáculos. Sorte a nossa. Também não precisamos de distintivo, muitas vezes somos liberados em blitzes, revistas, operações policiais, simplesmente por sermos surdos. Surdos dirigem veículos – legalmente, é claro, temos direito a carteira de motorista e exame médico de graça nos detrans do país – e quando são parados pela polícia, imediatamente são liberados. Puro preconceito. O guarda de trânsito não tem coragem de abordar o surdo. Prefere dispensá-lo. Bom para nós.
    As pessoas incrivelmente dizem que vivemos em guetos, nos isolamos do mundo, do universo. Quem quer se meter com surdos? Quem pesquisa nossa vida, nossa realidade? Quem vai onde estão os surdos e faz uma pesquisa científica? Na verdade, milhões de pessoas no mundo fazem isso, inclusive no Brasil, só que vocês não estão a par destas informações porque não pesquisaram, preferiram concluir tudo com base no senso comum. Na pré-concepção que têm dos surdos. Mas diga-se…vivemos realmente em guetos, ou são as pessoas com comentários como estes aqui nesta página que nos excluem da vida social?
    Existem atualmente 121 línguas de sinais no mundo. Elas são reconhecidas como línguas em quase todos seus países de origem, seja através de leis específicas, seja através do reconhecimento social. No Brasil a LIBRAS é reconhecida como língua pela legislação federal, estadual e municipal desde 2002(lei 10.436). Na história as línguas de sinais foram reconhecidas como línguas em 1961 por William Clarence Stokoe Jr., um linguista norte-americano. Elas existem desde que o homem deixou de ser macaco e presume-se que sejam anteriores às línguas acústicas devido ao fato que os macacos não são capazes de coordenar a fala acústica como o homo sapiens. Os macacos também não são capazes de desenvolver línguas de sinais sozinhos, é preciso que um humano os ensine. A faculdade da linguagem em toda sua complexidade ainda é restrita a nossa espécie.
    Existem cerca de 260 milhões de surdos no mundo – segundo a Federação Mundial de Surdos(WFD.org) – somos aproximadamente 4% da população mundial. Isso é mais que a população inteira do Brasil. Se nos uníssemos teríamos gente para ocupar muito bem um país inteiro e ainda seríamos uma das maiores populações do mundo. Mas infelizmente falamos todos línguas diferentes, assim como as pessoas que ouvem, temos gente de todo tipo e variedade, dos idiotas aos gênios, dos ricos aos pobres, temos ainda homossexuais, negros, ciganos, muçulmanos, políticos, ladrões, descamisados, miseráveis, leprosos, travestis, prostitutas, filhos das prostitutas, e tudo mais que se pode imaginar, igualzinho ao mundo das pessoas que ouvem. Incrível, né? Aposto que vocês não sabiam disso, mesmo sendo da mesma espécie que a gente.
    As línguas de sinais independem das línguas orais, nada têm a ver umas com as outras. Os surdos não são mudos, visto que existe uma fala e falar não se restringe ao ato concreto de usar a língua – puxa vida, estamos na era da relatividade e tem gente que acha que língua se refere ao membro que existe dentro da boca, que pensamento mais concreto – nem tampouco é exclusiva da fala acústica, visto que podemos falar pela escrita. Ao sinalizar, falamos, portanto deixamos de ser mudos. Continuamos surdos? Claro que não. Também ouvimos com os olhos. Ouvir não é função exclusiva dos ouvidos, senão salário ainda seria a porção de sal grosso que as pessoas recebiam todo mês. Ouvimos com os olhos. Escolhemos o termo Surdo porque representa nossa história. Não usamos o termo deficiente auditivo, quem escolheu esse termo era também um preconceituoso. Não nos perguntou “como vocês querem ser chamados”, senão teria ouvido o seguinte: “pelo nome, imbecil! Pelo nome”…

  • jung.ana

    E aí?
    É minha primeira experiência neste espaço de interação. Desculpem, ai, mas gostaria de pontuar algumas coisas:
    1. Fala-se SURDO e não SURDO MUDO, pois apenas 0,01% dos surdos são mudos, ou seja, não conseguem produzir sons. Aliás, os surdos fazem muitos sons com a boca, e alguns, normalmente os mais velhos, já adultos, costumam oralizar junto quando estão sinalizando.
    2. O termo DEFICIENTE AUDITIVO nem sempre é muito bem vindo. Ele surge num contexto clínico terapêutico, onde parte-se da idéia da normalidade para dizer o que é bom e o que é ruim. Tipo: é normal, é bom e correto. Do contrário, se é anormal também é ruim, é incapaz, é menos que os outros.
    3. Acreditem: EXISTE UMA CULTURA SURDA SIM!!! Há uma comunidade surda muito atuante e que vive no mundo a partir das suas experiências visuais.
    4. É verdade: existem surdos que foram excluídos da escola e por isso hoje nada ou pouco sabem da LP escrita. No entanto, há muitos surdos que são usuários do português escrito como 2ª língua. Certamente que não escrevem da mesma forma que os ouvintes, pois não são usuários desta codificação para comunicar-se cotidianamente, só nas situações mais formais. Percebe-se que surdos que participam da comunidade surda, que estudam em escolas de surdos e desenvolvem a fluência na LIBRAS obtém melhores resultados com a escrita do português.
    5. Verdade também dizer que LIBRAS é uma coisa e português sinalizado é outra. Atualmente, estes programas para traduzir textos para LIBRAS tem somente português sinalizado, assim como acontece com os textos traduzidos pela internet. São literais, palavra a palavra, não levando em consideração aspectos próprios de cada língua.
    6. Isso, tava me esquecendo: é LÍNGUA DE SINAIS e não LINGUAGEM. Linguagem é um conceito mais amplo. A LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais – é a 1ª Língua Oficial da comunidade surda brasileira, e possui todas as características necessárias para que seja assim denominada.
    Desculpa, escrevi, escrevi, enlouqueci… hehehehehe… é que trabalho com surdos. Sou diretora de uma escola de surdos, desde a pré-escola até a 8ª série. Também trabalho como intérprete de LIBRAS na UFRGS e na FASEV, em Porto Alegre, para alunos e professores surdos da graduação e do mestrado. Por isso, precisei escrever aqui e falar um pouco, informar um pouco daquilo que sei, com o que trabalho cotidianamente.
    Valeu, tchê?! ;)