Lara Croft, uma sobrevivente

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Após terminar a campanha do primeiro Uncharted e constatar o quão fantástico foi o trabalho realizado pelo pessoal da Naughty Dog, uma coisa ficou martelando na minha cabeça por um bom tempo: A série Tomb Raider estava em sérios apuros. Não pensava isso porque não tivesse gostado dos capítulos desenvolvidos pela Crystal Dynamics (Legend, Anniversary e Underworld), pelo contrário, mas simplesmente porque a abordagem mais cinematográfica parecia colocar a aventura de Nathan Drake em outro patamar, por isso o meu desejo era que a maior musa dos games também recebesse tal tratamento e com o título que serviu como um recomeço para a franquia, para o bem ou para o mal isso finalmente aconteceu.

Tomb Raider começa com uma jovem Lara Croft e um grupo de pessoas a bordo de um navio que tenta encontrar o lendário reino de Yamatai, que teria sido controlado por por uma poderosa rainha e estaria localizado no Mar do Diabo, uma espécie de Triângulo das Bermudas japonês. O objetivo da equipe era gravar um documentário e ao se aproximarem do local, uma violenta tempestade atinge o Endurance, dando início a uma das maiores lutas pela sobrevivência que os games já viram.

Encarar o título é vivenciar uma saga de dor, superação e amadurecimento. Nele a protagonista ainda não se tornou a exploradora que todos conhecemos e a equipe de produção tentou de todas as formas mostrar sua inexperiência, o que além de tornar a personagem muito mais crível, adiciona uma carga dramática imensa e ainda lhes permitiu brincar com algumas marcas registradas da série, como as duas pistolas usadas por Lara.

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Este novo Tomb Raider também chama a atenção por ter recebido influências de várias outras criações, desde o enredo e a ambientação que logo nos remete à série Lost, até mesmo a mecânica do jogo, que utiliza elementos de RPG aos nos possibilitar “comprar” melhorias para a personagem ou itens. Outras fontes de inspiração que a desenvolvedora parece ter usado foram o Metroid e o Batman: Arkham Asylum, já que durante a campanha principal adquirimos ferramentas que nos permitem visitar lugares que antes pareciam inacessíveis e Lara possui ainda uma espécie de sonar, parecida com a visão raio-x do Cavaleiro das Trevas e muito útil para encontrarmos objetos escondidos no cenário, mas aqui a função parece um tanto fora do contexto.

Por falar na jogabilidade, está aí aquele que considero o principal defeito do jogo. Não que aquilo que nos é oferecido não funcione, mas ao tentar aproximá-lo da série Uncharted, infelizmente a Crystal Dynamics acabou ignorando o que eu mais gostava nos outros Tomb Raiders, que é a solução de quebra-cabeças para continuarmos a aventura. Tomb Raider até possui esses enigmas, mas eles são poucos e possuem um nível de desafio muito baixo, fazendo com que a maior parte do tempo tenhamos que apenas escapar dos perigos que nos são propostos ou matarmos alguns inimigos. Mesmo os saltos que devem ser realizados com precisão milimétrica foram deixados de lado.

Tirando talvez o enredo pouco inspirado, tecnicamente não há muito o que reclamar do jogo. A dublagem foi muito bem feita, a trilha sonora – apesar de não contar com o tema da série – ajuda a criar o clima de tensão e visualmente ele se encontra bem acima da média, principalmente por contar com uma direção artística sublime e oferecer cenários de tirar o fôlego, isso sem falar na própria Lara Croft, que nunca foi tão bonita.

No fim das contas, mesmo sem trazer nenhuma grande inovação, este Tomb Raider pode ser considerado um jogo imperdível, principalmente por contar com uma infinidade de situações memoráveis e por mostrar que a franquia ainda tem muito a oferecer. Eu só gostaria que num próximo capítulo os desenvolvedores incluíssem mais quebra-cabeças e aproveitasse o desfecho da história para mostrar a personagem como uma verdadeira exploradora e não apenas em uma sobrevivente.

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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  • Dori, dá uma revisada no texto depois. Tem um “atingi” perdido ali no meio, por exemplo 😀

    • Eu revisei o texto, como sempre faço, por sinal, mas é inevitável que certos erros passem. O que mais viu de errado?

      • Na verdade até onde eu me lembro, acabou sendo só esse mini-erro. Foi ver o mesmo e vir comentar aqui para alertar. De resto, bom texto 🙂

        Concordo com vários pontos, inclusive aquele sobre a falta de carisma dos personagens secundários.

        Só não concordo muito com as críticas para a falta de “Tombs”, e de suas simplicidades. Para mim está ótimo do jeito que ficou, pois elas fazem muito mais sentido do que antes, onde você tinha que ir lá na China virar uma chave que abre uma porta no México (hipérboles, gente, não é literal :D). Sem contar que o foco do jogo não é a exploração, e sim a sobrevivência e a tentativa de resgate dos amigos sobreviventes.

        Outra coisa que o povo critica no jogo é a falta das duas pistolas, que o momento em que elas aparecem é pouco. GENTE, é o início! Já pararam para pensar que foi ALI naquela hora que esse traço dela possa ter nascido?

        Também reclamaram que ela não é coerente com a possível fragilidade dela, mas, catzo, o que esperavam? Queriam que quando você mandasse ela andar e dar uma picaretada na cabeça de um maluco ela tremesse a mão e saísse correndo, DESOBEDECENDO o seu comando? Essa evolução EXISTE SIM no jogo, mas na forma dos comentários que ela faz em cada momento de conflito. No início ela reclama, tenta argumentar com os caras dizendo “não precisamos agir assim, vamos conversar”, mas no final ela já está mais confiante e tocando o “foda-se”, ao ponto de incitar os inimigos com “é só isso que vocês podem fazer?”, “Vão pro inferno!” e coisas assim.

        No geral, eu curti muito o jogo, achei ele melhor que muitos dos até do ano passado, como Max Payne 3, Mass Effect 3 e Sleeping Dogs. UM JOGÃO! 🙂

        • Como eu disse no texto, a sacada que os caras tiveram para as duas pistolas foi muito boa e sim, por se tratar do jogo que dá início à personagem, acho que a falta de puzzles poderá ser resolvida nos títulos posteriores.
          Enfim, o ponto é que também adorei o jogo, mas se pensarmos friamente, há pouco de um Tomb Raider nele, o que repito, é aceitável, mas eu continuo com vontade de ficar 5, 10 minutos pensando em como resolver um quebra-cabeça.
          Talvez essa falta que senti nem seja uma crítica propriamente dita, mas a verdade é que talvez esperasse um jogo que misturasse as situações épicas de um Uncharted, com mais elementos de puzzles de um Tomb Raider, algo que por sinal sempre me incomodou também na série da Naughty Dog.
          Se no próximo Tomb Raider a Crystal Dynamics conseguir misturar melhor essas duas coisas, ótimo, caso contrário, a série tradicional me deixará saudades.

          • Acho que a parte dos puzzles poderia ser apenas em tumbas secretas. Assim agrada ambos os tipos de jogadores.

          • E o pior que é mais ou menos isso o que o jogo faz, porém, são apenas seis tumbas e cada uma delas só tem um puzzle a ser solucionado, infelizmente.

          • Então deveria ter mais tumbas. rs

      • paulokdvc

        Dori, na boa. Mas sempre vão existir as pessoas que olham a única lâmpada apagada na árvore de natal, enquanto todas as outras estão brilhando.

        Não entendo como você perde tempo respondendo a essas bobagens de “tem uma palavra errada ali e aqui”. Um texto enorme e bacana e o cara fez questão de ressaltar a única coisa que não agregou nada na matéria.

        • E?? Em que momento eu falei mal do texto? Só apontei um erro de digitação, nada mais. Que mal há nisso? Não agredi, não ofendi, não chamei ninguém de analfabeto nem o desqualifiquei pela forma que escreve… vá tomar um suco de maracujá, por favor 😛

        • Relaxa cara, isso não me incomoda, de verdade. O que me tira do sério é ver um cara criticando a análise porque disse que não entende reviews que comparam jogos, algo que não fiz aqui.

          • Davi Ramos

            Bom, na verdade a comparação é da natureza da crítica. Não se trata de uma ciência exata, você vai valorando o objeto em comparação a outros de conhecimento geral.

            Não tenho vontade de jogar Tomb Raider, deve ser bom, mas é engraçado. Eu ultimamente percebi que acho mais divertido ler reviews do que propriamente jogar rs. Doidera mesmo. Gostei do texto… um errinho de revisão é normal, é raro um texto que não tenho erro algum. Grande abraço.

  • Como Jogo não tem nem o que comentar… Tomb Raider é tudo que um fã de uncharted gostaria de ver na serie. boa jogabilidade, armas bem diversas, cenarios gigantescos e varias areas secretas.
    O jogo peca apenas na parte de carisma dos personagens e em uma estoria mais criativa ( é tão ruim quanto a de uncharted 3).

    Pra mim:

    Uncharted ganha em carisma e historia
    Tomb raider ganha em jogabilidade

  • Di

    Concordo com a análise, mas se tem um problema que eu queria destacar, embora pareça que somente eu dei a devida importância, foi o fato do salto não respeitar as leis da física. Fiquei pasmo ao ver que um jogo AAA da atualidade permite que se controle a direção do salto em pleno ar. Fora isso, o jogo é bem competente e cumpre o que promete.

    • E ela sobreviver aquelas quedas é normal né? cmon…

      • Di

        Tem nada a ver uma coisa com a outra. Não estou discutindo realismo, mas sim a física do jogo. Aprenda a ler.

        • Não tem a ver com fisica do jogo e sim com deixar o jogo com uma jogabilidade simples. Nem tudo tem que ter fisica perfeita… Alias acredito que isso foi uma opção deles.

          • Di

            Tá, entendi q vc é chegado em jogo pra criança, ao estilo Crash Bandicoot, mas considero bastante incoerente um jogo desse estilo não respeitar leis básicas da física.

  • OverlordBR

    Lendo este texto do Dori, lembrei de outro velho e clássico jogo no estilo: Soul Reaver.

    A estória, os quebra-cabeças, o mundo do jogo em si (também com áreas que só ficavam disponíveis depois que conseguíamos novos poderes no personagem).

    Bem que poderiam fazer um novo episódio da série / saga Soul Reaver.

    • Kleber Muniz

      Aí sim! Aliás, uma das melhores dublagens em português de um jogo, senão a melhor, até hoje.
      Tem várias sequencias dele, na verdade todos partem da saga o Kain, inclusive o Raziel.
      Vale a pena dar uma pesquisada só para saber a historia completa.

  • Tejobr

    Quanto aos quebra-cabeças, parece que estão invertendo novamente. Abandonei os TR mais novos, justamente por causa do excesso de quebra-cabeças e pouca ação.

    Em minha opinião, os primeiros equilibravam melhor as duas facetas.

  • Quem é a modelo que eles usaram? Ainda é a Alison Carroll?

  • Qual versão ficou melhor, PC, PS3 ou 360 ?

    • Indubitavelmente PC: a Square Enix tem se empanhado em aproveitar o máximo que o PC permite, com seus jogos multiplataforma: Sleeping Dogs, Hitman: Absolution, e agora com o Tomb Raider. Nada de “nivelar por baixo” como a EA alegou com o Dead Space 3 🙂

  • Dori, infelizmente eu ainda não joguei o novo Tomb Raider seja pela falta de tempo aliada a dinheiro também.

    Se me permite e se não gostar de comparar, sem problemas também. Até porque pelo seu review, pelo bem ou pelo mal Lara Croft incorporou muito de Nathan Drake. Então até por ter deixado um pouco dos aspectos dos jogos passados, a pergunta que fica na minha cabeça, claro na sua opinião. Uncharted 2, 3 ou Tomb Raider?

    • Cara, eu achei o Tomb Raider muito, mas muito melhor que o Uncharted 3, já em relação ao U2 a briga é bastante difícil. Talvez eu dê a vitória ao TR por uma minúscula vantagem, mas consideraria um empate técnico.

      • Tomb raider realmente é muito mais complexo que Uncharted (principalmente o 3). Naught Dog ta exagerando na parte graficae se preocupando de menos com jogabilidade.

        Exemplo? A Cena do predio pegando fogo em uncharted 3 é ridicula! ninguem no predio, cenario pequeno… Não tem nada de util ali…

      • Interessante é justamente o que imagino. Melhor que Uncharted 3 e Uncharted 2 quase em um empate técnico. E se tem vantagem para Lara melhor ainda, ela merece. E merece ainda mais na próxima geração.

        Pelo visto se eles incorporarem os aspectos da antiga Lara com puzzles intrigantes e saltos precisos por exemplo é melhor a Naughty Dog se focar no The Last of Us e deixar Uncharted para uma próxima quebra de paradigmas.

  • Eu achei o jogo excelente. Clima perfeito na minha opinião. Dá uma certa angústia quando ela solta: “oh God…” “Ok”… Só achei bem fácil mas isso está como um padrão hoje em dia.

  • Legal! Hummmmm!!! De repente me deu vontade de jogar. Fui!

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