Uma escultura cinética que não se move, e é genial

medievalgear

Uma das coisas que associamos com passado arcaico são engrenagens. Lembramos de máquinas a vapor, Revolução industrial, calculadoras antigas. Se eu colar uma engrenagem na testa da guria e vender como Luciana Vendramini Steampunk, vai ter quem compre (ok, eu compraria).

Só que engrenagens não têm nada de antiquadas, elas são essenciais no mundo moderno, quando é preciso gerenciar força mecânica. Temos engrenagens na Máquina de Anticítera (aka Antikythera) e na Curiosity.

A impressão de que são algo obsoleto, junto da familiaridade, estando em todo canto, faz com que não achemos que são grande coisa, mas engrenagens podem explodir sua mente, como demonstrou o artista Arthur Ganson.

Normalmente não dou bola para “esculturas cinéticas”, são umas bobagens que tocam sinos, e outras aporrinholas, mas essa “Máquina com Concreto” é ciência pura.

Ele pegou um motor girando a 200 RPM e acoplou a uma engrenagem. Essa engrenagem se conecta a uma engrenagem de redução na razão 1/50, ou seja: para cada 50 voltas que o rotor dá, a engrenagem de redução dá uma volta.

Só que ela não está sozinha. No total são 12 conjuntos de redução, cada um diminuindo a rotação do conjunto em 1/50. A redução total é de (1/50)¹².

A última engrenagem está cumbada em um bloco de concreto, mas o conjunto todo, em teoria é uma máquina móvel. A diferença é o tempo: dada a redução da velocidade de giro, a última engrenagem completará uma volta em DOIS TRILHÕES DE ANOS.

Isso mesmo. Essa máquina teria que existir muito além da vida estimada do Universo para executar uma rotação. Isso tudo por causa de algumas obsoletas engrenagens.

Mais ainda: Como o torque aumenta na razão 50/1, a última engrenagem girará com uma força inimaginável, destroçando a máquina e o bloco de concreto. Duvida? É só ter paciência…

Aqui um vídeo da máquina em ação!


Machine with Concrete – Arthur Ganson

Fonte: Makezine.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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  • Eu não entendo muito de matemática, mas acredito que a redução total
    seja de (1/50)^12 [elevado a 12]. E considerando que parte da energia mecânica é convertida em calor, talvez o tempo seja bem maior que o estipulado. Mas de qqr forma, uma bela matéria!

  • Eduardo Tenório

    Meio inútil. O objetivo é apenas mostrar o poder da matemática?

    • Luiz Felipe

      Mostrar que engenharia, matematica tambem dao arte. Claro que toda arte eh inutel, pode ir la queimar a monalisa.

      • Eduardo Tenório

        Não falei que “toda arte é inútil”. Se você viu isso no meu comentário então está na hora de começar a tomar seu remédio.

        • Eduardo Tenório

          Para ficar mais entendível:

          Não disse que o post em si é inútil, nem que a “arte” é inútil. Apenas disse que a construção é inútil. Isso não tira a beleza da matemática envolvida no processo. Apenas que é algo inútil.

          • André Luis Pereira dos Santos

            E seu comentário foi inútil também

          • Joguemos fora a Mona Lisa então,,,

          • Da pra fazer o favor de deixar a Mona Lisa quieta la no corredorzão dela, pô…

        • Luiz Felipe

          Claro que voce nao falou que toda arte eh inutel, eu disse isso, a nao ser que ambos estamos doidos ao mesmo tempo.

    • Guest

      Comentários desnecessários: você vê por aqui.

      • Eduardo Tenório

        Nossa, por isso que muita gente reclama dos comentários no meiobit. Se você não concordar em uma vírgula, tem sempre uma cardozete* de plantão.

        *Não é uma crítica em relação ao Cardoso, cujos textos são ótimos. Mas tem gente aqui que endeusa o cara a ponto de aplaudir até quando ele vai ao banheiro.
        Vamos ter personalidade pessoal. Pode ser?

      • Luiz Felipe

        Ganha pontuacao, nao ganha? Eh o habito, tudo pelo XP.

  • Luiz Felipe

    Coincidencia, li isso ontem no hackaday. Engrenagens sao como trens, pelo menos no brazil, se tem a impressao que sao coisas antigas.

  • A relação final é de (1/50)¹² ou 0,000000000000000000004096. Faltou o “elevado” ou ^. O torque do outro lado deve ser monstruoso.

  • Sensacional!

  • Agora alguém faça algum instrumento preciso o suficiente para medir a velocidade em que a última engrenagem está se movendo! 🙂

  • Caixa de câmbio mandou um abraço.

  • Victor Campos

    Boa ideia mas péssima execução. Impressionaria mais se a primeira engrenagem girasse mais rápido, se a redução entre as engrenagens fosse maior e se fosse projetado para girar 45 graus, ou o suficiente para quebrar o mais duro material possível, a cada 50 anos.

    Com certeza essa arte, após minhas sugestões, incentivaria muitas celebridades internacionais a viver mais de 50 anos, passando inclusive pela difícil barreira dos 33.

    Na verdade eu quero ver o resultado final logo e de preferência sem catarata. Então se projetarem para quebrar daqui a 40 anos ou menos eu agradeceria =)
    E quem responder meu comentário é viado.

  • Porque só a primeira engrenagem se mexe? as outras não deveriam ir girando cada vez mais devagar?

    • O vídeo é bem curto.. mas a segunda engrenagem já gira…

    • Todas estão girando, só que a cada interconexão a engrenagem seguinte está girando 50x mais lento que a anterior. O movimento lá na ponta é tão ínfimo que a impressão que dá é que nada está acontecendo, quando está

  • Bah, que sem graça. Com uma redução de 1/50 já na primeira conexão fica tudo tão lento que mata qualquer graça em ver isso. Se fosse uma redução menor, seria legar ficar observando a desaceleração progressiva das rodas, pelo menos 😛

  • mindfuck..

  • essa ultima parte eu “só acredito vendo”

  • Xultz

    O torque na última engrenagem é imenso, mas não quer dizer que necessariamente esteja disponível, porque o sistema mecânico (pelo menos da última etapa) tem que aguentar o esforço (ou seja, o eixo, e a engrenagem em si, não devem quebrar quando submetidos ao esforço). Ou seja, a pergunta é: quem vai quebrar primeiro, o concreto ou a engrenagem. Quantos anos teremos que esperar para saber a resposta? Mais fácil simular no Solidworks 🙂

    • José Luis Junior Segatto

      muito bem observado

  • Alguma dúvida de que esse troço vai criar um Big Bang????

  • José Luis Junior Segatto

    “a última engrenagem completará uma volta em DOIS TRILHÕES DE ANOS.”
    Se tivermos energia eletrica pra mover o motor até lá, ou, no minimo, um ser suficientemente inteligente pra tirar o motor, colocar uma manivela e ser capaz de girá-la (obviamente a bem menos que 200RPM).

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