Mau Sapão: Samsung processa Apple pelo recurso VoiceOver

Esse é mais um exemplo de que, além do sistema de patentes ser extremamente volátil, permitindo registro de ideias ao invés de produtos, na real nenhuma empresa é boazinha, especialmente se isso implicar perda de dinheiro.

A Samsung entrou com um processo na justiça alemã, alegando que o recurso VoiceOver da Apple, que permite que cegos ou pessoas com visão reduzida possam “ler” a tela do iPhone, infringe uma de suas patentes, a versão alemã da patente nº 6.937.700 (bem genérica, por sinal).

A patente descreve “aparelho ou método de saída de dados pela tela do aparelho celular”. Em teoria qualquer sistema que permita que a tela informe por áudio o conteúdo dela ou descrições dos apps estão cobertos pelo registro. O VoiceOver funciona como um assistente para pessoas com pouca ou nenhuma visão: um toque no app e o iPhone descreve o que ele faz. Dois toques, e ele abre. Além disso há um modo de desligar a tela assim que o app é ativado para garantir que outras pessoas não vejam o que o usuário está fazendo, afinal, visual é a última de suas preocupações.

A Samsung alega que a Apple não foi capaz de patentear o recurso, e nem uma licença de uso de sua tecnologia. Pegos no fogo-cruzado, estão os usuários que dependem do VoiceOver. Sabiamente, o juiz presidente da corte em que o processo foi aberto determinou que o mesmo fosse paralisado devido um processo paralelo que poderia invalidar a patente da Samsung. Para variar, a Apple não comentou nada.

A Samsung declarou: “por décadas, investimos pesado no desenvolvimento de inovações tecnológicas da indústria mobile, que se reflete em nossos produtos. Continuamos a acreditar que a Apple infringiu nossas patentes e continuaremos a tomar as medidas necessárias para proteger nossas propriedades intelectuais”.

Não é sobre acessibilidade, é sobre dinheiro. No fundo a Samsung não tem a intenção de bloquear o aplicativo, ela quer mais farinha no seu pirão. A Samsung tem uma solução similar ao VoiceOver, o TalkBack, mas realmente não sei dizer qual dos dois é o mais acessível, por não viver a realidade de alguém que tenha a visão limitada ou seja cego.

No fim das contas, a estratégia pegou muito mau: o consultor Florian Muller mencionou em seu blog que “se a Samsung só queria uma compensação monetária, ela poderia ter escolhido uma maneira melhor, ao invés de entrar com uma ação buscando tentar bloquear o recurso ou, mais provável, degradá-lo”. John Packskowsi do AllThingsD inclusive escreveu que “a Samsung aceitaria a perda de acessibilidade de usuários como efeito colateral de sua batalha contra a Apple”.

Sejamos justos: todo mundo copia todo mundo nessa área, mas essa atitude acaba manchando a reputação de uma empresa gigantesca que também desenvolve hardware original – lembrem-se dos monitores transparentes -, e os que dependem da tecnologia de acessibilidade acabam pagando o pato por uma briga que já estourou todos os limites do ridículo, de ambos os lados.

Fonte: BBC via um tweet do @LucasRadaelli, o Demolidor brasileiro.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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