Opera chega a 300 milhões de usuários e deixará de ser hipster

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A Opera Software acabou de anunciar que seu navegador tem 300 milhões de usuários e aproveitou a marca para anunciar que fará uma transição do Presto – seu motor de navegação atual – para o WebKit usado no Safari, Chrome e praticamente tudo que não seja Firefox e IE.

A empresa já estava experimentando com o WebKit no projeto Opera Ice, um navegador mobile simplificado para smartphones e tablets: o primeiro produto a usar o novo motor será exatamente o Opera Mobile, cuja próxima versão será anunciada no Mobile World Congress, no final desse mês. A versão desktop receberá as mudanças mais tarde.

A justificativa da Opera com a mudança é melhorar a compatibilidade com os sites, eles poderão inovar mais ao invés de gastar recursos para “reinventar a roda” com o Presto: a notícia será boa para os desenvolvedores, que terão um browser a menos para testar: se um website funciona no Chrome e/ou Safari, vai funcionar no Opera também.

O que me preocupa é a Opera dizer que vai adotar o Chromium também. Para quem não sabe, o Chromium é a versão open-source do Google Chrome, inclusa aí a interface.

Um dos diferenciais do Opera é exatamente a interface, que não só é mais leve como também é mais customizável que os competidores: a atual interface do Opera inclui diversos recursos nativos (de navegação gestual e edição dos atalhos de teclado até cliente de e-mail, feeds e IRC) que não possuem equivalentes no Chromium. Eles serão portados para a nova base ou descontinuados?

A transição do motor de navegação poderia acontecer sem mudar a interface do navegador, mas ao adotar a interface de um concorrente fica a dúvida se o “Novo Opera” não será apenas um “Chrome com nome diferente”.

Caso a mudança para Chromium e WebKit não seja o infeliz resultado de um corte no quadro de funcionários da empresa norueguesa, isso é uma ótima notícia: a Opera certamente tem know-how e bons engenheiros. Sem ter que manter um motor próprio de navegação, poderiam trazer muitas melhorias para o WebKit. E por ser open-source, isso beneficiaria os usuários da maioria dos concorrentes que também usam WebKit.

Pra quem acompanha a Opera há algum tempo a mudança pode parecer estranha, já que boa parte da renda da empresa vem de licenças para operadoras ou para fabricantes de eletrônicos (TVs da Sony e consoles da Nintendo usam o Opera, por exemplo) mas esse mercado já tem sido tomado pelo WebKit, que é open-source e fácil de adaptar. Olhando os relatórios financeiros da empresa, só a receita do Opera Desktop (que é gratuito e sustentado sobretudo por parcerias com buscadores) já é maior que o licenciamento para operadoras e para OEMs, somados.

A dúvida que fica: a mudança de motor trará mais usuários para o Opera?

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