Os Maias erraram por um ano: (talvez) Microsoft Office para Linux em 2014

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A própria idéia soa como heresia, mas a fonte é boa: Michael Larabel, evangelista de Open Source do Engadget e com um bom histórico de furos, como o Steam para Linux. Diz ele que ouviu da boca de um desenvolvedor que a Microsoft está preparando uma versão do Office, que estaria pronta ano que vem.

Curiosamente os defensores do Linux usaram como argumento contrário algo que vivem negando: A mixa fatia de mercado do SO, entre 1% e 2%. Não valeria a pena economicamente para a Microsoft desenvolver para a plataforma. Eu mesmo uso esse argumento para justificar e compreender a falta de jogos de ponta no Linux.

Só que no caso há um racional diferente: Esse mercado de 2% está essencialmente em ambiente corporativo, espaço onde a Microsoft tem investido MUITO como campeã de interoperabilidade, inclusive contribuindo com código para o kernel do Linux.

Empresas de verdade não estão preocupadas com Fanboys, briguinhas e adolescentes dando chilique. Querem dinheiro, eficiência, dinheiro, confiabilidade, dinheiro e principalmente que a TI não atrapalhe sua atividade primária: Fazer dinheiro.

Aí entra o contra-argumento hilário: “Ninguém gostaria de Office no Linux pois há alternativas gratuitas”. Mesmo ignorando que por esse argumento o Linux deveria ser o sistema mais usado no mundo, na prática o Office é uma plataforma muito mais madura, estável e confiável que as alternativas. Não há o risco de uma revolução palaciana quando a Oracle ficou gananciosa e resolveu meter a mão no OpenOffice, gerando um fork no processo, de onde surgiu o LibreOffice.

2% do mercado deskop é pouco mais MAS [foi hacker, corrigido] no mercado corporativo esses 2% se transformam em 10%.

Interessa à Microsoft vender um software para 10% das empresas do planeta?

Com o Office 365 a Microsoft terá sua suíte rodando em Windows, Windows RT, Mac OSX e iOS. Android, eventualmente, “se houver demanda”. Se o pecado era sair do Windows, já foi cometido faz tempo. Só que no ramo dela, pecado é perder dinheiro, e o Dólar do Linux é tão verde quanto o do Windows.

Fonte: EG

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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  • É uma grande quebra de paradigma, a não muito tempo atrás, os próprios funcionarios da MS Br questionavam isso. A questão surgiu em torno do SQL server e o porque de não existir uma versão linux, uma vez que o core do SGBD não depende diretamente do sistema de janelas

    • Sim, essa sempre foi uma das grandes questões, principalmente porque o grande concorrente tem.

      Mas a Microsoft esta mudando de uma empresa que vende software em caixinha para uma empresa que vende soluções.

  • Não faz muito sentido, afinal tem empresas que usam o Windows por causa do Office, com o Office indo para o Linux as empresas pagariam apenas as licenças do Office ao invés de pagar o pacote Windows + Office, o que na minha opinião tornaria o lucro menor.

    • Não é tão simples assim.

      A maioria das empresas que estão no Windows é porque utilizam algum sistema especifico que só roda nele (ERPs e afins). O Office por si só não justifica um parque inteiro em Windows.

      E me diga, qual empresa que já tem um parque Windows vai gastar uma fortuna para treinar os funcionários para usarem Linux?

      • Explicado, é sempre bom ouvir opiniões de fora :). Pelo que vocês disseram faz muito sentido. Porém o usuário doméstico não seria tentado a migrar pro Linux ?

        • Não creio, o usuário doméstico em sua grande maioria usa o Windows por conhecer.

          Não vejo motivo do Office ser um atrativo para migrarem pro Linux. Nesse ponto vejo o Steam com muito mais potencial para atrair usuários.

        • Não, porque o usuário comum não usa só o Office. E como o Francis falou, ou bem ou mal as pessoas já conhecem o Windows. Isso aliado a praticamente não haver jogos pra Linux.

      • Sempre discordei dessa parte de “treinar os funcionários”. Qual é a necessidade ter um menu chamado “Iniciar” e outro chamado “Aplicações”? O cara vai usar as mesmas ferramentas que ele utilizava no Windows, Mac ou whattever… Ele não vai sair recompilando kernel ou configurando uma placa Infiniband.

        • Usuários são burros, sem treinamento se recusarão a tentar usar.

          Velha história do “mudou a cor da grama o usuário morre de fome”.

          • Bota o emprego dele na reta que ele aprende bem fácil. Isso é business.

          • Rodrigo Monteiro Ferreira

            Mandar gente qualificada embora é muito caro, ai arrumaria voce 2 problemas e rasgaria dinheiro… nem todo mundo trabalha morre de medo de perder o emprego…

    • Ao contrário, geralmente as empresas que utilizam Linux tem como seu pacote escritório o LibreOffice ou o OpenOffice (StarOffice? Alguém?). Eles querem conquistar essa parcela. Empresas que utilizam Windows com Office não o fazem só por conta do Office.

      Fora que a maioria das empresas pagam por seus sistemas Linux e mais do que pagariam por um Windows, pois o RHEL e o SUSE Linux Enterprise são licenciados no modelo de assinaturas anuais. A empresa onde trabalho é um exemplo, pagamos pelo Linux que usamos e pagamos bem.

      • Ah sim, então realmente faz sentido, porém refaço a pergunta: Usuários domésticos não seriam tentados a usar o Linux ?

        • Depois de anos, um mercado doméstico inundado por PCs Windows dos mais variados, piratas ou originais, com usuários que não sabem utilizar outra coisa e quando sabem é somente SO de smartphone que nem se compara, mudarem para Linux somente porque tem um pacote Office da MS para a plataforma? Não desmerecendo o Linux (eu uso e sou fã), mas isso está muito longe de acontecer.
          Trabalho com informática a quinze anos e posso contar nos dedos as máquinas Linux que vi nas mãos de clientes meus que não fossem empresas.
          Essa mudança só aconteceria se caso houvesse alguma mudança de leis com fiscalização muito rígida e punições severas que doessem para valer no bolso para quem pirateia e um preço completamente fora da realidade para quem compra computadores novos com o original.

          • Vai acontecer, mas ainda não nesta geração. Os mais novos e o pessoal da faculdade estão pouco a pouco migrando para o Linux, quase todo dia alguém me fala que começou a testar e analisar e gostou.

            É uma questão de tempo até equilibrar.

          • Rodrigo Monteiro Ferreira

            Faculdade de que? TI é minoria…

          • Física 🙂 Por incrível que pareça, maioria do pessoal que faz os cursos de TI estão usando Windows como sistema principal… Mas isso até chegar no corporativo, ai a coisa muda de figura.

  • Guest

    2% do mercado deskop é pouco mais no mercado corporativo esses 2% se transformam em 10%.

    Sobrou um i no mas… 😛

  • Como eu sempre digo, “feio é ser pobre”. Resta saber se vai ser free ou se vão piratear no Linux também.

    Also… “2% do mercado deskop é pouco mais no mercado corporativo esses 2% se transformam em 10%.” A frase me confundiu no início, mas era pra ser um “mas” ali no meio, certo?

    • Uma empresa não vai piratear software. Só as muito estúpidas.

  • luizalbertotj

    Não acho impossível. Provavelmente seria uma versão off-line dos webapps já disponíveis atualmente, talvez um pouco melhoradas, mas com certeza vai depender de uma assinatura do Office 365.

    • Em breve (próximas versões) o modelo de assinatura deve ser o único disponível para o Office.

      Atualmente a Microsoft enfrenta um sério problema de empresas usando a mesma licença “open” do Office durante 15 anos.

  • Além disso ela consegue lucrar em um mercado que até então não lhe rendia nada. Pode até não vender a licença do Windows, mas certamente venderá a do Office para todas as empresas que adotarem o pinguim.

  • Sendo eu uma pessoa que rodava o Office 2007 no Wine muito mal e porcamente posso afirmar que eu compraria. O Libre Office até que é legal, mas no mundo real onde você não tem 5 horas para estudar a documentação de um sofware para aprender como fazer configurações mais avançadas nos seus documentos e muita gente com quem você trabalha ou estuda nem sabe que existe outro editor de textos além do Word, ter o MSOffice para tornar sua vida mais fácil vale o preço da licença.

    • Não falo nem da documentação, pois 90% do uso básico é fácil de se aprender. O grande problema são as incompatibilidades. Receber ou enviar documentos para vários órgãos e empresas e rezar para abrir sem problemas, ou ter que enviar tudo em PDF para garantir que todos poderão abrir sem sustos.

      • Cássio Amaral

        Nunca tive problema ao usar o Libre Office e salvar em formato do MS Office, como .doc ou .docx. ao usar o Writer.A mesma coisa com planilhas, eu trabalho como .ods e depois salvo como .xls ou .xlsx.

        Apresentações idem, uso o Impress e salvo como .ppt/.pptx e sempre abri normalmente no PowerPoint.A recíproca é verdadeira, consigo abrir arquivos Offcice Open XML da MS normalmente no Libre Office.

        • Infelizmente eu trabalho no mundo real, onde empresas precisam lidar com centenas de documentos das mais diversas versões do Microsoft Office. A compatibilidade é sofrível, documentos abrem com tabelas completamente disformes, ofícios sem cabeçalho e imagens, formação do texto completamente diferente e parágrafos desalinhados.

          Estou culpando o LibreOffice? Não, gostaria que a Microsoft liberasse a documentação de seus formatos de forma transparente e não apenas aquela palhaçada da ISO sobre o OpenXML, que no final das contas não valeu de nada, pois nem mesmo os documentos gerados pelo Microsoft Office são 100% compatíveis com a norma e ela é inútil para se seguir/implementar.

          É injusto, mas é assim que funciona e meu gerente não querer perder dinheiro em uma licitação por conta de um documento gerado em um aplicativo livre.

  • Microsoft sempre a frente da concorrencia nessa ultima decada.

    • Eu vejo mais ela correndo atrás do tempo que perdeu com seu comodismo, por conta de sua fatia de mercado. Windows Phone, Internet Explorer, Segurança, etc.

      Veja que não falo de dinheiro ou número de usuários.

  • Cesar Camargos

    Se acontecer, voto também em uma distribuição MS-Linux. Lembrando que na era paleozoica a Microsoft já tinha o Xenix e atualmente possui um monte de patentes Linux.

    • Comparar o Xenix com o Linux é no mínimo uma insensatez, não entremos no mérito da questão. Agora o monte de patentes da Microsoft no Linux, até hoje, se resume nos nomes longos em Fat32 e mais 3 ou 4 coisas importantíssimas como o duplo click.

      A IBM sim tem patentes bem mais interessantes (e que causariam problema), mas ela felizmente conta como aliada.

    • Valerio Kikuchi

      Assim como a MS já tinha, HÁ ANOS, uma versão MS-Office pa ra Linux, SEM dúvida, tem uma versão HÁ ANOS, do MS-Linux. Isso ñ é especulação – é FATO.

  • Seria bom, só acho que a Microsoft chegou atrasada. Não que eu goste do LibreOffice (winei o MS Office no Linux e no FreeBSD por uns 3 ou 4 anos), mas vejo que o MS Office está se tornando irrelevante. A palavra modinha é colaboração, Google Apps tá fazendo isso muito bem, o LibreOffice apesar de tudo consegue ser uma boa suíte de escritório, e na boa, Exchange?

    Em antigamente o Star/Open/BR/LibreOffice era pesado demais e com muitos bugs para ser usado por qualquer empresa séria. Ainda é pesado demais, mas não vejo computadores com menos de 4GB Ram, o que já obtém uma performance satisfatória. A compatibilidade com documentos do MS Office melhorou muito, e ao mesmo tempo, muitos usuários perceberam que a falta de compatibilidade também não é um problema com o formato do OO, mas sim do MS Office — um documento complexo em .doc feito num Office 2003 vai ficar uma droga no Office 2007 e 2010. Sad but true.

    Eu ficaria bem feliz se tivesse lido essa notícia há uns 5 anos atrás. Iria gerar muito dinheiro pra Microsoft naquela época.

    • Carlos Magno GA

      Documento complexo? 99% das pessoas colocam Microsoft Office no Currículo. 90% só sabe digitar o texto no Word, formatação (mesmo que porca) é com os outros 9%.

      O Office 2007 e 2010 tem compatibilidade suficiente para abrir um doc feito no 2003 quase sem nenhum problema. E normalmente a parte mais importante de um documento em Word é o texto. A formatação, alinhamento de figura, etc. a gente ajusta. Pra isso as pessoas sempre emitem o documento em formato PDF e editável.

  • Gabriel

    Acho que se o photoshop viesse para o linux, muitas pessoas se interessariam. (E não me venham falar sobre o gimp, por favor)

  • Zilardo

    O que será que o Alan Moore, digo, Richard Stallman acha disso?

    • Valerio Kikuchi

      O Richard Stallman ganha o dele, fazendo a parte dele. Quem está “na pele” corporativa sabe qto vale performance, solução, compatibilidade.
      Afinal, poucas pessoas conseguem escrever um novo compilador como o Sr. Stallman o faz, qdo se desagradam de alguma coisa na informática, certo?

  • OverlordBR

    Fatia de mercado das distros Linux após o Office: 10%

    Imagina se esta versão MS Office for o responsável pela popularização do Linux?

    Os “papas” do software enforcarão-se a si próprios matando-se a si mesmos. 🙂
    Seria a ironia máxima!

  • hamacker

    Não vejo porque tantas pessoas a falar mal do LibreOffice.
    Uso ele no dia-a-dia e se atende a mim que sou mais exigente do que um usuário comum então porque não funcionaria para pessoas comuns que desconhecem um ctrl+x ou Alt_Gr e tantas coisas básicas para escritório. Quando me apresentaram o uso de estilos no OpenOffice, o mundo se abriu para mim, muito tempo depois (bota muito) quando um colega empolgado me mostrou essa “novidade” no word dele, eu disse “aham, finalmente”.

    O único mal do LibreOffice é realmente intercambio com doc/docx, realmente não dá para garantir 100%. Mas acho que se uma pessoa quer 100% de compatibilidade não tem como fugir disso, terá que usar o produto microsoftiano pelo resto de sua vida. Agora como ferramenta, writer/calc não devem nada a dobradinha word/excel.

    • Concordo plenamente. Já faz mais de 5 anos que uso essencialmente OpenOffice (agora LibreOffice) e faço uso de funcionalidades relativamente avançadas e nunca senti falta de usar o Excel ou Word.

      Pelo contrário, quando penso em gerar algo como PDF, abro logo o LibreOffice Writer, que salva como PDF diretamente (e ainda gera links internos no documento, quando este o possuem).

  • “Só que no ramo dela, pecado é perder dinheiro, e o Dólar do Linux é tão verde quanto o do Windows.”

    A logica seria: É melhor perder a venda do Windows do que a venda do Windows *E* do Office.

  • Não seria uma boa a Microsoft desistir de fazer Windows, parece absurdo, só que o investimento da Microsoft no sistema operacional é alto, e ela ganha muito com o SQL Server, Office e etc…

  • José Luis Junior Segatto

    Eu gostaria muito de ver o Microsoft Linux.
    A Apple fez exatamente isso com o Darwin.

  • Claro que a Microsoft não está preocupada com Fanboy dando chilique, pois se seu maior executivo, o senhor Ballmer, é o rei dos chiliques!!! Não foi ele que disse que linux era um câncer? Agora já não é mais? que coisa não! Se realmente os 2% do linux pularem pra 10% não será por causa do Office, será porque resolveram levar a pesquisa a sério e encontraram um maneira mais eficaz de encontrar os usuários de linux, os métodos atuais são pra lá de duvidosos

  • Ruy Acquaviva

    Para mim não faz a menor falta. Para quem gosta é um prato cheio. Só acho estranho a Microsoft cogitar em portar o seu Office para o Linux se esse sistema operacional é tão irrelevante quanto o Cardoso diz. Ou a Microsoft está precisando consultar o Cardoso ou o Linux não está tão mal na fita quanto ele sempre tenta fazer os leitores do Meio-Bit crer.

  • Valerio Kikuchi

    A Microsoft já tem a versão Office para Linux HÁ MUIIIIIITOS ANOS… HÀ MUIIITOS ANOS… A empresa, por mais criticada que seja no meu mundo livre, não é nem um pouquinho idiota, tal como fez a nobilíssima Nobel há alguns anos. Qq q seja o sentido ou a direção, os pupilos do Sr. Gates/Balmer irão seguir… Isso sim… Enqto estiverem a fim de ganhar $$$$… E como já escreveu um colega abaixo: o mundo ñ quer mais briguinhas de quem é melhor do que quem… Quer trabalhar… Software NÃO É religião. Nem modo de vida. Software é ferramenta. Mesmo gostando e vivendo software livre há muitos anos, tenho de reconhecer isso.

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