Campus Party, Tapscott, moinhos de vento e galões d’água

Na última semana estive na Campus Party, principalmente para acompanhar as palestras do palco principal. Desde a de Buzz Aldrin, que foi o maior motivo para eu comparecer à feira, passando por Marc Prensky e Nolan Bushnell, posso dizer que fui surpreendido pela apresentação de Don Tapscott.

don-tapscott

Bastou menos de uma hora para o escritor deixar claro que todos nós, sem exceção, somos parte importante na resolução dos problemas do mundo. O modelo de governo criado no fim da Segunda Grande Guerra, onde apenas os representantes das nações tem voz, não o indivíduo, não mais funciona. No atual formato, não importa o que façamos, a curto prazo as pessoas no mundo todo vão sofrer.

EDIT: recomendo a todos, vejam a palestra completa.

É preciso mudar a forma de agir, e para isso nós, enquanto indivíduos devemos tomar nosso lugar como um dos pilares da Rede de Mudança Global. A pergunta é: como?

Tapscott mencionou vários projetos pequenos de organizações independentes que estão fazendo sua parte, e me lembrei de dois casos não mencionados que me chamaram a atenção tempos atrás, coincidentemente, ambos atuantes principalmente na África.

William Kamkwamba, o menino que domou o vento

william

A África não é um lugar legal. Não só pelo índice de pobreza extrema, níveis de Aids estratosféricos e guerras civis intermináveis, mas também por não haver uma organização decente para levar cultura à população e, por conta disso, as pessoas de lá ainda não saíram da Idade do Bronze, pois só isso explica o nível de crendice e ignorância que, por exemplo, mata albinos para fazer poções. E eu não estou brincando.

Foi de um desses lugares da África entre o nada e o lugar nenhum chamado Malaui que veio essa história. William vive numa comunidade (estou sendo bonzinho usando esse termo; sequer pode ser chamada de civilização) que não tinha eletricidade, pouquíssimas pessoas possuíam geradores e água, só através de bombas manuais. Saneamento básico? Esqueça, isso é luxo na África.

William foi retirado da escola por seus pais aos 12 anos, pois eles não podiam pagar por seus livros e cadernos. A região passava por uma seca terrível (o Malaui é um país que vive essencialmente da agricultura) e as condições eram as piores possíveis. Mas para William desistir não era uma opção. Ele não sofria de conformismo e também não ia levantar as mãos implorando ajuda por um deus que não iria ouvi-lo de qualquer maneira. Já que ninguém o ajudaria a aprender, ele decidiu que o faria sozinho.

William começou a estudar por conta numa biblioteca mantida pelas Nações Unidas. Mesmo seu pouco conhecimento de inglês não foi uma barreira, ele estava decidido a encontrar não só o acesso ao conhecimento que lhe fora negado pelas adversidades da vida, como uma saída para a situação agonizante (sem trocadilho) que sua região vivia.

Foi lá que ele encontrou um modelo bem simples de geração de energia: um moinho de vento. Ao perceber que poderia construir aquilo, logo ele pôs a mão na massa. Com nada mais do que sucata, ele construiu o moinho e levou energia elétrica para vários lugares. Claro que a turma do “não pode ser feito” caiu de pau em cima dele, afinal, era um garoto de 14 anos mostrando que abaixar a cabeça não era uma atitude aceitável. Mas o fato é que as pessoas agora podiam ter água mais facilmente com bombas elétricas, carregar seus celulares e acender suas lâmpadas, ou mesmo ouvir rádio e assistir TV.

Resultado: William escreveu um livro, viajou o mundo contando sua história e levando sua ideia para quem precisasse, e até palestrou no TED, duas vezes. Abaixo o vídeo de sua segunda apresentação:

charity: water, um projeto que leva água limpa para quem precisa

charity

Olhe para o copo d’água na sua mesa. Veja como ela está limpa. Pois bem: mais de 1 bilhão de pessoas no mundo todo (pouco mais de 14% da população total) não tem acesso ao que nós conseguimos de forma banal. Sim, é assustador.

Scott Harrison viu isso de perto. Após uma viagem à África como voluntário, um dos promoters mais badalados de Nova York criou a charity: water, uma instituição que visa apenas levar água limpa às comunidades mais carentes de diversas partes do globo, sem depender de projetos mirabolantes ou valores astronômicos. E ele faz isso inclusive arrecadando dinheiro das baladas que promove hoje em dia.

Diferente de alguns projetos por aí, a charity: water chama atenção por dois motivos: primeiro, seus esforços se focam na segurança de fontes naturais e instalação, reparo e manutenção de poços artesianos, projetos esses que não demandam de grandes investimentos ou infraestrutura. Segundo, a ONG é extremamente transparente: tudo que é doado é usado nos projetos. Ela em si se mantém com consultorias e doações vindas de outras fontes (sim, as contas são separadas). A charity: water também funciona como rede social, onde qualquer um pode criar sua campanha de doação. Cada campanha encerrada, após o dinheiro ser aplicado, em até 18 meses apresentará um gráfico que detalha em que país a contribuição foi investida, quantas pessoas foram beneficiadas, qual o tipo, de projeto, quanto foi gasto nele, etc. Neste link está a campanha de um amigo para a qual doei 50 dólares, e lá está tudo detalhadinho. No momento, através de um e-mail da ONG, soube que o dinheiro foi investido em duas campanhas, uma na Repúbica Democrática do Congo, e outra na Costa do Marfim.

E mais importante: dar acesso à água potável economiza tempo, que pode (e deve) ser empregado em educação, saúde e diversas outras formas. Em suma, ajuda a desenvolver comunidades inteiras. Vejam o vídeo institucional, é muito bom.

São dois exemplos de atitudes de pessoas comuns que, num grau ou noutro, estão dando nova vida a milhares de pessoas ao redor do planeta. Mudar o mundo não consiste apenas de derrubar um governo ou num menor grau, ficar xingando nas redes sociais sem levantar a bunda do sofá. Levar energia e água limpa, para essas pessoas, mudou o mundo. Mudou seu mundo.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Ronaldo

    Parabéns, pelo texto de estréia, fui apresentado ao garoto que domou o vento através de um texto do Cardoso, mas exemplos assim devem sempre ser relembrados.

    “…O modelo de governo criado no fim da Segunda Grande Guerra, onde apenas os representantes das nações tem voz, não o indivíduo, não mais funciona. No atual formato, não importa o que façamos, a curto prazo as pessoas no mundo todo vão sofrer…”

    Esse modelo de democracia social faliu, quanto menor for a presença do estado melhor para os indivíduos

    • Ah, valeu. 🙂

      Particularmente eu não acredito num modelo em que o estado deve ser excluído, mas em que o indivíduo tenha voz, são duas coisas diferentes. Sei que estou sendo utópico, mas…

      • Enquanto o estado for esse monstro cheio de tentáculos (e as pessoas em geral querem aumentar ele) o indivíduo não terá voz

        • Sou totalmente contra um modelo em que o estado seja diminuído, ele deve ser melhorado. Sem o estado aí é que as coisas tendem a piorar, se a sociedade não consegue minimamente escolher políticos decentes para nos representar, você realmente acredita que ela pode se organizar sozinha?

          • Rafael, esqueça, a política é um jogo com dados viciados.

            Primeiro que o Valor marginal do voto é absolutamente desprezível, ou seja, o seu voto como indivíduo não afeta em nada o resultado da eleição, ele é apenas o chato que fica no cabelo do chato que fica no saco do indivíduo, e o esforço para ter um “voto consciente” simplesmente não vale a pena, principalmente quando o poder está tão longe, como é o nosso caso de Brasília.

            E segundo, pegue uma campanha de qualquer político eleito, faça as contas, há uma grande probabilidade de ela ter custado mais do que ele irá receber durante o seu mandato, estranho não ?

            Quanto à sociedade se organizar sozinha, não sou só eu que acredito, inclusive, foi o que aconteceu, ou você acha que a democracia de representação nasceu junto com a humanidade ?

            Sabe qual é o problema do estado ?, ele é uma entidade que não está sujeita a lei de lucro/prejuízo e arrecada seus fundos através da coerção.

            Estados grandes e “benevolentes” são uma conta que não fecha, fadados ao fracasso e a conta fica com a população.
            Nós estamos acompanhando isso nos noticiários, os países desenvolvidos estão quebrados (EUA está beirando a moratória, Grécia com uma dívida impagável e vendendo alimento vencido nos supermercados, Espanha com 25% de desemprego)

            E sabe quem é que criou todas essas crises ?, o estado.

          • Concordo contigo em partes, os EUA e a Europa são os países mais neoliberais e por isso estão quebrados, foi o mercado que quebrou esses países.
            O Brasil por ser mais “controlador” não tem sofrido tanto quanto os outros países.
            Se o Estado é ruim, vai ser pior ainda sem ele, com certeza seríamos bem mais desprotegidos enquanto cidadãos sem eles. Pode ser que seja vantajoso para a classe média alta e os ricos retirarmos o poder do Estado, mas para a sociedade em geral com certeza não seria.
            Apesar de tudo, ainda temos uma saúde e uma educação disponível para todos, mesmo não sendo de qualidade. Sem o estado, como a sociedade mais pobre que mal tem dinheiro para comprar comida e pagar a conta de água e luz (e só tem por causa dos programas assistencialistas) iria conseguir pagar para ter educação e saúde?
            A qualidade aliás é ruim até nos serviços pagos, vá para um hospital particular para quem tem plano de saúde que vai ver que a qualidade não é muito maior que o SUS. Procure uma universidade particular e compara com uma púbica também.
            Essa teoria de que privatizar melhora a qualidade é muito furada, até porque é de praxe sucatear o serviço público antes para justificar a futura privatização.
            Quer resolver o problema? Transforme os cargos políticos em cargos técnicos, coloque gente qualificada e competente para trabalhar, valorize o servidor público, acabe com as terceirizações (ninguém me convence que seja vantajoso pagar para alguém pagar seus funcionários), invista na educação (para formar profissionais que venham a abastecer o próprio serviço público) e puna severamente os corruptos e os corruptores.

          • neoliberais ?, a Europa é social-democrata e os EUA estavam indo na rabeira.

            Quem quebrou foi o estado, isso não ficou muito claro nos EUA mas ficou evidente na zona do Euro.

            A Grécia ameaçando moratoria é problema do mercado ?, pegue a dívida publica dos países e verá que a grande maioria está quebrada.

            O Brasil ainda não desmoronou porque não deu tempo, acabamos de sair de um ambiente hiperinflacionario e uma década perdida, não conseguimos ainda acumular riqueza substancialmente para queimá-la com farras, mas não se engane, nós estamos caminhando na mesma direção

            http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2013/02/mantega-defende-mais-credito-para-inadimplencia-cair.html

            >>Apesar de tudo, ainda temos uma saúde e uma educação disponível para todos, mesmo não sendo de qualidade. Sem o estado, como a sociedade mais pobre que mal tem dinheiro para comprar comida e pagar a conta de água e luz (e só tem por causa dos programas assistencialistas) iria conseguir pagar para ter educação e saúde?

            http://www.youtube.com/watch?v=jEIbyO_XPPk

            Sabia que educação e saúde de “graça” afetam o preço das pagas ?, elas fazem a iniciativa privada ficar mais cara.
            Para o estado prover os mais pobres ele retira quase 40% da riqueza gerada pelo país e retira poder de compra das pessoas através do imposto inflacionário ?, quem gera a miseria é o estado.
            Não sou contra a caridade, mas ela deve ser feita através de vontade propria, e não usando coação.

            >>Essa teoria de que privatizar melhora a qualidade é muito furada, até porque é de praxe sucatear o serviço público antes para justificar a futura privatização.
            Quer resolver o problema? Transforme os cargos políticos em cargos técnicos, coloque gente qualificada e competente para trabalhar, valorize o servidor público,

            Quer resolver ?, privatize, ai se o negocio não der lucro ele falirá e se os funcionarios forem incompetentes eles serão demitidos.

            O Serviço público não é sucateado tendo como meta ser privatizado, ele vai se sucateando porque essa é a natureza do serviço público

          • A crise começou aonde? Na bolsa de valores, por causa da ganância das grandes corporações e depois se espalhou.

            Você simplesmente ignorou a lei da oferta e da procura. Se o estado deixar de existir, não haverá oferta suficiente de educação e saúde para todos, logo o preço subirá, matemática simples.
            Quem saiu ganhando com as privatizações do governo tucano? A sociedade ou os grandes empresários? Tivemos uma melhora significativa nos serviços? O preço melhorou? Acho que não.
            Se o serviço público é tão ruim, por que o ensino superior público é infinitamente melhor que o particular, mesmo com os salários ridículos pagos pelo governo? Porque as universidades e institutos federais são independentes, logo pessoas minimamente competentes são responsáveis por elas.
            Essa visão de que funcionário público é incompetente vem de três tipos de pessoas: quem não tem capacidade de passar em concursos públicos, de quem tem interesse em assumir as empresas públicas privatizadas e da mídia que apoia os interesses dos empresários. Tem funcionário público vagabundo e incompetente, tem. Mas também tem funcionário das empresas privadas incompetentes. Ou você vai dizer que você é bem atendido pela sua empresa de telefonia, pelas empresas de transporte público e por outras empresas que foram privatizadas?
            Além disso tem serviços essenciais que simplesmente são impossíveis de dar lucro como a segurança pública por exemplo.
            É engraçado que falam do SUS, mas vai ser atendido por plano de saúde para ver se é muito melhor. Minha avó tem plano de saúde há decadas e quando precisou colocar um marca-passo teve o pedido negado pelo plano de saúde que patrocina time de futebol e só conseguiu no SUS que todos criticam.
            Bom é nos outros países que não tem saúde pública, onde se você não tem dinheiro e precisa de assistência médica não pode fazer nada. Pior que ter uma saúde pública de baixa qualidade é não ter saúde pública nenhuma. Pior que não ter os serviços do estado de qualidade é não ter nenhum serviço do estado.

          • Vamos lá:

            >>A crise começou aonde? Na bolsa de valores, por causa da ganância das grandes corporações e depois se espalhou.

            Imagino que você esteja falando da bolha imobiliária dos EUA, ela não começou na bolsa, nem o mainstream trabalha com essa hipótese.
            A Crise resultou de uma bolha que foi sendo inchada logo após o governo Clinton, o Bush afrouxou artificialmente o acesso à financiamentos para os ditos subprime e garantiu implicitamente que caso algum banco quebrasse ele iria socorrer, foi isso que aconteceu, o mercado sendo inundado por dinheiro sem lastro (e quem controla o dinheiro ?)

            >>Você simplesmente ignorou a lei da oferta e da procura. Se o estado deixar de existir, não haverá oferta suficiente de educação e saúde para todos, logo o preço subirá, matemática simples.

            Isso não é verdade, se você tirar um monopólio ai é que a lei de oferta e procura pode operar adequadamente, se após a retirada deste monopólio não houver educação e saúde “para todos”, é porque a sociedade não demanda isso.

            E quem garante que os preços ficaram o mais baixo possível ?, a livre concorrência.
            >>Quem saiu ganhando com as privatizações do governo tucano? A sociedade ou os grandes empresários? Tivemos uma melhora significativa nos serviços? O preço melhorou? Acho que não.

            Acho que aqui você não está falando sério não é ?

            >>Essa visão de que funcionário público é incompetente vem de três tipos de pessoas:

            Não afirmei que funcionario público é incompetente, o que eu afirmo é que o arranjo estatal gera resultados incompetentes (ou qualidade baixa ou custo alto ou os dois)

            Todos os exemplos privados que você citou possuem um dedo fortíssimo do governo, logo esses setores não operam tão livremente.

            Porque é que ninguém reclama de padarias privadas ?, porque é um setor pouco regulado, onde a livre concorrência pode operar melhor

            >>Bom é nos outros países que não tem saúde pública, onde se você não tem dinheiro e precisa de assistência médica não pode fazer nada.

            Repito, não tenho nada contra a caridade, mas que ela seja feita por vontade própria, e não por coerção

            http://www.youtube.com/watch?v=MIPq6L5GbGQ

          • Claro que o comércio deve ser privado, o estado não deveria ter uma padaria, não faria sentido.

            O estado tem que estar presente nos serviços essenciais. Então você quer dizer que pouco importa se as pessoas mais carentes não terão saúde e educação? Sinto muito, mas prefiro pagar impostos caríssimos a não oferecer saúde e educação para todos.

            Realmente, quando a Embraer, a CSN, a Vale do Rio Doce, as empresas de energia elétrica e outras empresas foram privatizadas o serviço melhorou bastante, a sociedade como um todo se beneficiou com isso.

            A única exceção que concordo são as empresas de telefonia, que pelo menos facilitaram o acesso, mesmo achando que isso poderia ser feito facilmente sem privatizar, bastava colocar nas mãos certas.

            Você sempre tem uma opção, tem mais de 190 países no mundo que você pode escolher, provavelmente em alguns deles você não é obrigado a “fazer caridade”.

          • Olha, se tem uma coisa que o estado não deve estar presente é em serviço essencial, a capacidade dele de estragar tudo é enorme 🙂

            >>mesmo achando que isso poderia ser feito facilmente sem privatizar, bastava colocar nas mãos certas.

            Exato, as mãos certas são as mãos privadas 🙂

            >>Você sempre tem uma opção, tem mais de 190 países no mundo que você pode escolher, provavelmente em alguns deles você não é obrigado a “fazer caridade”.

            Poxa, a gente tava indo tão bem, agora estou sendo convidado a me retirar ?

          • Mãos certas no sentido de colocar pessoas competentes para controlar. Por que a educação superior pública é referência? Porque tem gente competente controlando, com pouca intervenção política.
            Se o estado não oferecer saúde e educação gratuita, a grande maioria das pessoas não conseguirá ter acesso a esses serviços.
            O modelo de país nosso não é ruim, só tem que melhorar a execução, melhorar os gestores.

            Quanto a você se retirar, só queria demonstrar que não é coerção pagar impostos. Não acho que ninguém deva sair do país em busca de nada, na verdade sou a favor de pessoas competentes e honestas se unirem para tentar mudar a política.

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