Quem diria: Windows virou programa de índio

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Um dos resultados da ineficiência do projeto de extermínio de populações nativas nos EUA é que acabaram com um número apreciável de índios vivos. Pior, eles não apreciam a idéia de ficar na Idade do Bronze, e gostam de se integrar na sociedade. Para completar, ainda praticam a ousadia de fazer isso sem abrir mão da própria cultura.

A sociedade branca por sua vez compensou os sobreviventes dos massacres do passado dando nomes de tribos para máquinas de guerra, helicópteros de combate e SUVs poluidores, como o Jeep Cherokee.

Algumas vezes, entretanto, a sociedade consegue ser legal. É o caso da Microsoft, que atendendo ao lobby de Tracy Monteith, um nobre guerreiro testador de software na empresa de Redmond. Cherokee por sangue e direito, Tracy insistiu por anos que fosse lançada uma versão do Windows com suporte ao idioma de sua tribo.

Com mais de 300 mil membros, a nação Cherokee se mostrou importante o bastante para que fosse formado um comitê de tradução, com tradutores profissionais, funcionários índios e até universitários cherokees voluntários.

O maior trabalho foi criar termos que não tinham equivalente, como folder, impressora, apito e email.

O pacote de idioma Cherokee será lançado oficialmente dia 19, e provavelmente estará disponível via Windows Update do Windows 8.

O projeto foi desenvolvido pelo Microsoft Local Language Program, uma iniciativa muito legal, que evita besteiras como as primeiras versões do Corel Draw, onde o ponteiro do mouse em cima da lente de aumento trazia a tooltip ‘”magnífico copo”.

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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  • Me lembrei do caso chileno: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,AA1361374-6174,00.html. Mesmo com apoio do governo chileno, os índios chilenos queriam levar a Microsoft à justiça. Nem sei o que deu no final. Ao que se sabe, os indígenas americanos nunca reclamaram desse suporte.

  • Tradução da MS desde que me conheço por gente é uma das melhores. Tirando um “Broadcast storm” que virou “tempestade difusão” num simulado pro MCP, lá no tempo do NT 4.0, não lembro de ter pego alguma gafe grande. Imagino que a tradução pro Cherokee seja bacana.
    Já a Adobe faz um trabalho péssimo na tradução. Só no Lightroom eu já postei umas dezenas de correções no site deles, desde que abriram para isso. Resta esperar melhorar.
    E pergunto, será que alguém vai ficar fazendo lobby pra um Windows versão Tupi Guarani? hahahahahaha

    • Melhores, mas nem por isso livre de algumas pérolas, como o tal “Inicialização” do Windows, que até então não existia no português 😀

      • Neologismo não é impossível e Guimarães Rosa está aí para provar. Colocar “Início” ou “Iniciação” soaria estranho. Faço minha as palavras do Piropo, em que um neologismo é válido quando não há palavra semelhante ou mediante nome registrado referente a um invento ou inovação. “Mouse” para “rato” até mesmo em português lusitano é esquisito (e “mouse” nem rato é e sim “camundongo”), mas é lexicamente aceitável pela absorção de um estrangeirismo no idioma, assim como muitos escrevem “mause” (com A). Agora “downloadear”, “printar” e outros assassínios são totalmente despropositados, pois temos “baixar” (ou “transferir”), “imprimir” etc. Eu sempre fico me perguntando como se printa. Com um “princel”?

        • Zilardo

          Você printa como eu printo ?

          ok, parei.

        • Luiz Felipe

          com o printo

        • Justo 🙂

      • Clássica. Havia me esquecido desta.

  • Eduardo Rocha

    No Brasil ao menos, índio tem um status diferente do cidadão comum. Podem fazer o que der na telha sem que precisem responder por isto na Justiça (quando funciona). Tem índios que matam e estupram mas não podem ir preso porque índios.

    Esta introdução (epa… copyright by Carlos Cardoso) é para dizer o seguinte: No Brasil, para mim ao menos, índio é quem vive de caça e pesca, mora em um oca. O índio que quiser celular, carro, dinheiro… para mim é outra coisa: picareta.

    • Rodrigo Fante

      Concordo, se o cara abrir mão da proteção do estado como índio, mas assumir a cultura se integrando a sociedade e batalhando como um igual, esse vai ter meu respeito.

      Querer só o lado bom para mim é como você disse, picareta, o cara não tá nem aí para cultura dele, quer tudo da sociedade moderna e usa o papo de índio só quando lhe convém.

      • Hesiodo Ascra

        Estando totalmente integrado para vc tudo bem se ele estuprar uma índia?

  • “apito”!!!! Hahahahah

    E eu lembro dessa, do Magnífico Copo. ALIÁS, estou pegando algumas (poucas) pérolas de legendas no Assassin’s Creed 3. Teve personagem que virou mulher, só porque o nome era francês. Provavelmente porque quem traduziu deve tê-lo feito só pelo texto original, sem referência de gênero ou áudio 🙂

  • “O maior trabalho foi criar termos que não tinham equivalente, como folder, impressora, apito e email.”

    Então no final das contas o índio *não* quer apito? 😛

  • zeuslinux

    Windows é mesmo o típico “programa de índio” 🙂

    Em termos de suporte ao maior número de línguas, inclusive as mais obscuras, o linux dá um banho no windows e qualquer outro sistema operacional. É só ver o número de pacotes “i18n” nos repositórios de pacotes de qualquer distribuição linux.

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