Kodak [ainda não] morreu, mas Apple e Google já pediram juntas o cadáver no cardápio

Neste final de semana, Apple e Google uniram-se num consórcio que pretende (quase) tirar a Kodak do fundo do poço: eles oferecerão pouco mais de US$ 500 milhões por 1.100 patentes na tecnologia de captação das imagens digitais. O consórcio inclui várias outras empresas presentes no time da Apple (Microsoft) ou da Google (Samsung, HTC e outras fabricantes asiáticas de smartphones Android) que desejavam manter baixos os custos relacionados à tais tecnologias.

Cada time oferecia bem menos de 500 milhões de dólares à Kodak pois ninguém queria pagar muito mais que tal patamar e, ao invés de a Apple e Google disputarem algum tipo de leilão valorizando a Kodak, todos preferiram fazer o acordo entre cavalheiros: dessa maneira, todas essas empresas conseguiram diluir ainda mais os investimentos e evitarão futuras guerras de patentes no ramo da fotografia digital. Outra vantagem é poderem pagar, em conjunto, uma melhor esmola à infeliz empresa de fotografia, fundada por George Eastman lá em 1889.

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Entrada do Kodak Theatre em 2002, agora Dolby Theatre

O tio Laguna fica a imaginar como a Eastman Kodak Company recuperar-se-á depois de encerrar a produção de filmes fotográficos, deixando também de fabricar câmeras digitais e, ainda por cima, vender todas essas patentes. Simplesmente não vai: a empresa vale 5,1 bilhões de dólares e possui dívidas de US$ 6,5 bilhões, sendo que 950 milhões de dólares dessas dívidas eram para serem pagas com a venda das patentes e, em teoria, tirar a empresa do Eastman da concordata. A Kodak achou que teria o mesmo “final feliz” da Nortel ou Motorola e conseguiria no mínimo 1 bilhão de dólares pelas patentes de fotografia digital, mas terá sorte se arrecadar mais da metade desse desejado valor.

Nunca tive uma câmera da Kodak, mas me lembro que, durante minha infância e adolescência na fotografia analógica, eu comprava rolos 35 mm da Kodak de 36 poses na Abafilm (loja especializada em fotografia aqui de Fortaleza) para a minha câmera compacta Yashica alguma coisa… Achei triste ver a Kodak sendo substituída pela Dolby no nome do teatro onde acontece a festa de premiação do Oscar: estamos apenas ouvindo à cruel e dolorosa morte de uma gigante que nos ajudou a preservar tantas lembranças visuais.

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Autor: Emanuel Laguna

O “tio Laguna” nasceu no Siará em meio à Fortaleza de 1984. Sempre gostou de brincar de médico com os aparelhos eletrônicos e entender como um hardware dedicado a jogos funciona, mas pretende formar-se como Engenheiro Eletricista qualquer dia. Antes apaixonado pelos processadores gráficos desktop, vê nos smartphones, tablets e outras geringonças mobile o futuro da computação.

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  • Esses dias achei numa arrumação uma Kodak Instamatic que era do meu pai. Pena não existir mais o filme 126 dela, mas algumas pessoas vendem lotes vencidos por aí. Ainda quero arriscar se vão funcionar.

    • Idem, se bem que a minha era chamada Kodak Repeteco.Isso em idos de 1980. E os cubos rotatórios de Flash que custavam quase uma revelação?

      • A Repeteco era como a 177X era chamada, é a mesma que eu tenho. Esses cubinhos são os Magicubes, tem no ML também, mas meu pai nunca usou, ele tinha uma Frata Magic, o Flash que funcionava com 4 pilhas AA. Não consegui fazer ele disparar, mas acho que a culpa era das pilhas. :p

  • Minha primeira digital foi uma Kodak DC215 Millenium Gold 2000 com 2x de zoom e 1 megapixel com cartão Compact Flash. RIP Kodak

  • Xultz

    Eu preferia os filmes da Fuji. Essa empresa existe ainda?

    • Fujifilm tem várias câmeras digitais, como por exemplo a série Finepix

      • Minha penúltima câmera digital foi uma Kodak, e foi a melhor DSLR que já tive. (queimou o display >.<)

        • vc tem certeza de que era realmente uma DSLR?? DSLR’s kodak são extremamente raras…..

  • Hollander

    “fica a imaginar como a Eastman Kodak Company se recuperará depois de encerrar a produção de filmes fotográficos”

    Impressoras… Eles vão investir em impressoras…

    • Agora que tu comentou, esse “se recuperará” de meu texto era para ser a mesóclise “recuperar-se-á”, corrigir-lo-ei. 🙂 😀

  • Até pouquíssimo tempo atrás tinha aqui em casa uma Instamatic (quem é que gosta de fotografia e tem idade suficiente não teve uma? fora o Laguna claro), comprada a prestação no também falecido Mappin, hoje compra-se uma maquina digital por R$300,00 que com um cartão de memória de 8GB tira-se mais fotos em um dia que uma Instamatic em sua vida útil toda conseguiria tirar.
    Ela teve sua chance mas não aproveitou o boom da fotografia digital, que aliás ela foi a pioneira. Poderia ter se aventurado em câmeras para celulares, usar a força de suas patentes para alavancar a empresa fazendo parcerias, até mesmo quem sabe se lançasse produtos em outras áreas de atuação que não a fotografia, diversificando o portfólio de produtos, sei lá.

    • Meu sonho era ter uma Polaroid… Mal sabia que uns 12 anos depois eu carregaria uma câmera o tempo todo comigo, capaz de compartilhar as fotos instantaneamente para os amigos e desconhecidos. 🙂

      • Essa evolução que você viveu e ainda vive, de sonhar com uma Polaroid ontem e hoje compartilhar direto da câmera as suas fotos instantaneamente, é uma coisa maravilhosa. Pena que a Kodak se perdeu entre o ontem e o hoje, com o pé firme no passado, sem conseguir aportar no presente.
        Meus sonhos foram sempre com videogames e computadores. Vídeo games nunca tive, mas computadores vivo cercado por eles, de clientes e os meus próprios.
        Apesar dos meus sonhos, nunca imaginei que trabalharia com computadores, também carregando um o tempo todo e ainda usando o mesmo para entretenimento, no lugar do vídeo game.
        Não é maravilhoso quando realizamos nossos sonhos, ou melhor, quando conseguimos ir além deles?

        • Sim, é maravilhoso mesmo… Acho que graças à esse rápido avanço da tecnologia que ando cada vez menos saudosista e menos apegado às coisas materiais, só não o suficiente para ser minimalista ou algo do tipo. 🙂

          • Também não sou saudosista, gosto de tecnologias novas, tanto que sempre me atualizo, permitindo agilizar meu dia a dia de forma que posso me apegar as coisas imateriais da vida, e ainda ser um pouco minimalista. Até mais!