Brasil: vendas na Black Friday foram 5 vezes maiores do que em um dia normal

Um dia normal, assim, de compras na internet. O brasileiro está descobrindo as compras pela internet e ai de quem não esteja preparado para segurar esse pessoal. A comScore divulgou hoje uma análise em que afirma que o gasto com compras durante a Black Friday (23 de novembro) teve um aumento de 368% se comparado a um dia qualquer de novembro. Para deixar a coisa ainda mais absurda, esse aumento é 63% maior do que o observado nos Estados Unidos, onde o Black Friday realmente faz sentido.

O ranking também é impressionante. A loja que mais se deu bem em toda essa loucura desenfreada de consumismo foi justamente a Americanas, muito conhecida na rede por não cumprir prazos de entrega e por deixar o consumidor muito insatisfeito em muitas transações. Logo após, temos Pontofrio, Casas Bahia, Walmart, Submarino, MagazineLuiza e Netshoes, ou seja, sites que aguentaram o tranco do excesso de acessos.

O motivo foram apenas os descontos? Não, com certeza não. Em muitos casos, mesmo com órgãos reguladores em cima, os preços foram maquiados, ou simplesmente oferecidos pelo mesmo valor dos outros dias. Eu mesma, que passei a madrugada caçando coisas vi, nos dias seguintes, produtos que me interessavam, pelo mesmo preço que estavam na fatídica sexta feira de novembro. Vi, até mesmo, amigos que compraram produtos que ficaram mais baratos no dia seguinte.

Black Friday

(Foto: ugaldew/sxc.hu)

Se observarmos bem, o grande boom de compras aconteceu também pelo simples fator social. Após a meia noite, amigos, familiares e conhecidos se reuniram em frente às telas para minerar o crème de lá crème das ofertas. Tudo isso através da internet, sem precisar estar todo mundo presente em volta do computador. Pela internet e pelo telefone, as pessoas se informavam loucamente de sites que ainda não tinham visto, de ofertas que estavam perdendo. E se lamuriavam nas redes sociais quando não encontravam o que queriam por um preço bom.

Todos queriam ter uma novidade para contar no dia seguinte, informar aos amigos nas redes sociais que adquiriram TVs, vídeo games, tênis, relógios e tantos outros itens que foram colocados em infinitos emails de propaganda que nos bombardearam durante a madrugada (conversa na empresa, no dia seguinte: “E aí, cara? Comprou aquela ‘tevê’ que você estava caçando na Black Friday?”). A busca insana levou à queda de dezenas de sites, sendo um dos casos mais graves o do Kabum, que ficou instável nas horas mais críticas de compras, apresentando preços errados.

Também não dá para deixar de lembrar do site oficial da Black Friday, montado pelo BuscaDescontos, que além de também cair, não mostrava nenhuma oferta prometida, e não foi hub para nada, como planejaram. As pessoas precisaram tatear cegamente pelos sites mais famosos, em busca do que realmente estava mais barato. E, claro, contar com a ajuda dos amigos na hora da pesquisa, ou de indicações úteis.

E assim, temos a confirmação de mais um evento bizarro em nosso país. Uma data que não faz o menor sentido para nós, com descontos que em muitos casos não eram verdadeiros. E o sentido do dia de Ação de Graças? Ah, esse fica o mesmo que no Dia das Mães (época em que mais se vende, sabia?), Natal, Dia das Crianças e tantos outros.

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Autor: Stella Dauer

Stella Dauer é jornalista de tecnologia, especialista em gadgets e livros digitais. É editora-chefe do EuTestei, que possui um canal de reviews no YouTube. É colunista do MeioBit e iG Tecnologia.

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  • http://twitter.com/billmask Marcelo H. Gonçalves

    A ferramenta utilizida foi a desinformação.
    O apelo foi mais para o “consumismo social” brasileiro.
    Muitos preços era engodo, tudo pela metade do dobro… mas … brasileiro gosta de APARECER!

  • http://www.facebook.com/people/Diego-Messias-Batista/100002522797622 Diego Messias Batista

    O pior é que devido ao sucesso, nada mudará no ano que vem :- ! Se tem consumidores pra que baixar os preços de verdade? Ah o brasileiro! A gente gosta de ser enrolado é isso!

    • RedVivo

      A gente vírgula. Não se inclua meu amigo. Que mania!! Eu não estou incluído. Não comprei nada.

    • http://www.facebook.com/sboorbou Samuel Santiago

      Falaria a mesma coisa, me recusei a comprar qualquer coisa, por que foi um absurdo o que fizeram… mas a dona maria, a dona zefa viram o produto pela metade do dobro do preço e compraram felizes….

  • http://ceticismo.net André

    5 vezes mais gente sendo enrolada.

    • RedVivo

      Puxa… eu vim justamente escrever isso. 5x mais otários sendo enganados que num dia comum. Já a TV que eu queria, comprei por um preço mais baixo que na Black Fraudei, a dois dias atrás. Ah, e ela tinha esgotado. O que prova que muitos otários compraram achando que estava com um bom preço.

    • http://www.facebook.com/williancostasantos Willian Costa Santos

      otários você quer dizer, vi notícias que comprovavam que os produtos estavam 5% mais caros do que em dias normais.

  • OverlordBR

    Sinceramente, não consigo acreditar nesta “estatística” de aumento de 368% se comparado a um dia qualquer de novembro. E muito menos no sucesso do “Black Friday” no Brasil. Aliás, encontrar um amigo que conseguiu comprar algo na Black Friday foi praticamente impossível: todo mundo comentava como os preços mantiveram-se iguais (ou, em alguns casos, até subiram). Eu mesmo estava monitorando 10 produtos desde uma semana antes da Black Friday. Em só um dos casos, o preço do produto caiu (5%)… em compensação, a loja online voltou a cobrar frete. :(

    • http://www.facebook.com/rodrigofante Rodrigo Fante

      Eu vi uns 10 produtos com preço bom, como iPad, algumas televisões, e poucos coisas, 99% era tudo mentira.

  • aurelio gorri

    Tem os espertos que vendem iphone de 2 mil pila;
    Tem o exxxperrrtos que compram. E acreditam em promoção.
    O mundo capitalista sempre funcionou assim.

  • http://www.facebook.com/amsalau Alexandre Salau

    Bom, mas o fato é que no site das Americanas tinha muita coisa com preço realmente bom, não os 50-70% que alguns prometiam, o que é absurdo, mas bons descontos de 20 a 40% eram fáceis de achar sim. Em diversos sites haviam boas ofertas, só precisava de paciência pra fazer comparação. Não vale comparar com Mercadolivre ou Compredachina, tem que comparar com o varejo normal mesmo.

    • http://miudostrocados.wordpress.com Rodrigo Santiago

      O que acontece é que existe um “preço de etiqueta” nos produtos, em qualquer site, em qualquer dia, aparece o famoso “de 1999 por 1599” só que, se for pesquisar, TODO site e toda loja física vende a ~1599. É um desconto fictício. Aí joga 12%, como a Americanas fez na Black Friday, e você tem um desconto maior em cima do “preço de etiqueta”.

  • http://twitter.com/DannBrazil Daniel A.Donaduzzi

    “Americanas, “…”sites que aguentaram o tranco do excesso de acessos”. ??

    A única coisa que tentei comprar no dia foi um microsystem que já estava de olho, e realmente lá no Americanas.com estava bem mais barato que nos dias anteriores… Mas não consegui… Deu pau no site, reclamei e só me responderam dias depois, quando o preço já estava normal.

    • http://www.facebook.com/rodrigofante Rodrigo Fante

      Ainda vendem esse tipo de coisa?

  • http://www.facebook.com/meloalves João Melo

    Comprei um Galaxy S III na loja Balão da Informática pela internet, no Black Friday, dia 23/11, paguei à vista e até hoje não recebi. Mas o pior é que a loja não dá
    satisfação nenhuma, mesmo ligando todo dia. Ou seja, além do engodo com relação à maquiagem nos preços, agora as lojas vendem e não entregam e ainda incorrem no crime de apropriação indébita. Eis aí o segredo do “boom” das vendas.

  • http://twitter.com/jbmal João Melo

    A loja Balão da Informática adimitiu que não tinha o celular que eu comprei, dia 23/11, em estoque hoje. Isto é, 17 dias depois de receberem o dinheiro da venda. É assim que eles faturam: enganam o consumidor de todas as formas. Cuidado, não comprem nessa loja.