Ed Fries diz que consoles não podem ignorar modelo da Apple

dori_app27.11.12

Tendo ocupado o cargo de vice-presidente da divisão de games da Microsoft durante quase todo o ciclo de vida do seu primeiro console, Ed Fries costuma ser chamado de “pai do Xbox” e se a marca conseguiu se firmar na indústria ou a companhia pôde adquirir estúdios respeitáveis como a Ensemble Studios e a Rare, grande parte do mérito deve ser dado ao executivo.

Atualmente ele comanda a Figure Prints, empresa dedicada a criar réplicas de personagens e objetos de games famosos, além de atuar como consultar na criação do Ouya, aquele videogame que usará o Android como sistema operacional e que poderá trazer algumas mudanças para a maneira como adquirimos jogos para um console.

Como Fries tem acompanhado a indústria tão de perto, durante uma entrevista ao site GameInformer ele foi questionado sobre o que mudou no lançamento de um console na última década e sua resposta mostra como as fabricantes deveriam agir daqui em diante.

Está se tornando mais difícil para os consoles tradicionais ignorar o tipo de experiência proposta pela Apple. Qualquer pessoa pode desenvolver para suas plataformas, a certificação é relativamente barata e indolor, e antigamente havia todo tipo de mitos e lendas dizendo que isso era algo ruim de se fazer, de que foi por isso que o mercado de games quebrou em 84 e que havia muito lixo no mercado, mas agora você tem caras que fazem jogos como o Fez e que não podem atualizá-los porque isso custa muito caro. Se o jogo estivesse no iOS não haveria este problema.

Esse tipo de ideia precisa sumir na próxima geração. Ela sumirá com o Ouya, sumirá se a Apple lançar algum tipo de produto neste espaço e as fabricantes de consoles como a Sony, Nintendo e Microsoft terão que dar uma resposta a isso, da mesma forma que terão que dar uma resposta ao modelo Free-to-Play. O mundo está mudando, as pessoas querem a experiência Free-to-Play, as desenvolvedoras de jogos querem criar títulos gratuitos e o ecossistema dos consoles terá que se adaptar a isso. Não poderá ser apenas produtos físicos por US$ 50 para sempre.

Dar espaço aos desenvolvedores independentes parece ser mesmo uma tendência, algo que a Nintendo já parece ter percebido e que as concorrentes possivelmente não ignorarão. Só discordo de Fries em relação a uma possível enxurrada de porcarias ser um mito e o canal de indies da Xbox Live é um belo exemplo disso.

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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  • Well Dias

    Não acho que ele quis dizer que é um mito aparecer porcarias neste modelo. Entendo que, o modelo prevê que existam muito lixo, talvez mais lixo que coisas interessantes, mas isto não ameaça o modelo de distribuição digital em si (que em resumo é o que ele está favorecendo), já que não há custos com logística, embalagens, manuais, hardware e etc,

  • A Apple prega que sua appstore tem 800mil aplicativos, mas esquece de dizer que uns 500 mil são lixo.

  • iradomendes

    Vocês poderiam citar alguns lixos, na opinião de vocês, existentes na Xbox Live? Obrigado

    • Como disse no texto, visite o canal de jogos independentes. 90% (acho que até mais) não valem o dólar cobrado.

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