Metrô Chinês usando frequência de WIFI para sinalização. O que poderia dar errado?

chinafail

Um dos problemas do comunismo é que gera cegueira e arrogância estatal. Qualquer um com um mínimo de autoridade tende a ignorar o mundo, e se algo deu errado, o Universo está errado, não ele.

Um exemplo disso está acontecendo em Shenzen, uma das maiores cidades da China. O metrô está sofrendo com panes “inexplicáveis”, trens sendo obrigados a abandonar passageiros, atrasos e composições congeladas.

Após alguma pesquisa descobriu-se o motivo: Celulares e laptops com WIFI estavam interferindo no sistema de comunicação entre trens, sinais e salas de controle.

A regulamentação de frequências é algo muito, muito burocrático e caro na China, mesmo para os padrões chineses, então as empresas ferroviárias decidiram que ao invés de pagar uma fortuna por uma frequência própria, era melhor olhar o espectro eletromagnético, ver uma faixa não-regulada e usar.

Só que a faixa em questão, 2,4GHz, é a usada por WIFI. TECNICAMENTE é terra de ninguém, mas na prática os fabricantes respeitam, para evitar conflitos e tornar a vida do usuário desagradável.

A faixa de 2,4GHz é usada por todos os metrôs na China.

Agora, há duas possibilidades: Ou compram uma frequência e mudam seus equipamentos, ou podem tentar proibir todo mundo de andar com celular, ipad e laptop nos metrôs do país.

Boa sorte em ambas as opções, e parabéns pela visão estratégica de longo alcance.

Fonte

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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  • Keaton

    Com um zilhão de possibilidades… como infernos conseguiram essa proeza?

  • Sem contar que algum engraçadinho pode tentar capturar os sinais e tentar reproduzir, causando um caos.

  • Tudo que vem da china usa 2,4 GHz para comunicação sem fio. Até trens.

  • O autor da pesquisa deve ter publicado e sumido. Na dúvida, o culpado é ele.

  • Tejobr

    Para que inventar? O negócio é usar os recursos naturais.

    Engano meu ou o celular da imagem está de capa dura?

  • Carlos Magno GA

    “então as empresas ferroviárias decidiram que ao invés de pagar uma fortuna por uma frequência própria, era melhor olhar o espectro eletromagnético, ver uma faixa não-regulada e usar.”

    Que vantagem tem, para sinalização ferroviária, o uso da freqüência de 2.4 GHz? Eles precisam transmitir dados a 10 Mb/s? Porquê não usar uma freqüência menos utilizada hoje em dia, como o AM, de longo alcance e alta penetração (em especial no metrô, que é um lugar mega-isolado magneticamente).

    • o problema do AM é largura de banda pífia para comunicação digital e baixíssima imunidade a ruído, qualquer mal contato em fio emite AM.
      Sem contar que justamente pelo alcance dela alguém mal intencionado de bem longe consegue interferir na comunicação.

      Deixa o AM pros nossos radios de galena em feiras de ciências, esse é o lugar deles 🙂
      2.4GHz é usado em comunicação sem fio inclusive para aplicações industriais, por N motivos, um deles é o custo, e não é só na china, no mundo inteiro é assim.
      O mais indicado para o caso dos trens seria comunicar via infravermelho ou laser.

      • Carlos Magno GA

        A baixíssima imunidade a ruído é que confere ao AM uma banda pífia. Mas se for algo em torno do que eu li na internet recentemente (1500 bits/segundo), acho que dá legal para informações de sinalização metroviária.

        Infra-vermelho e “laser” necessita de alinhamento perfeito, vai depender muito da geometria do local e do uso. FM poderia ser utilizado, mas seria muito curto, embora acho que de alcance bem maior que WiFi.

        P.S.: Eu ouvia rádio AM em túneis dentro de um carro, não deve ser tanta interferência assim. Mas acho que o Laguna é o melhor para responder a esse questionamento.

        • A baixíssima imunidade a ruído é que confere ao AM uma banda pífia

          Na verdade não, é questão da modulação mesmo.

          Infra-vermelho e “laser” necessita de alinhamento perfeito, vai depender muito da geometria do local e do uso

          Não tão perfeito, em minhas aplicações industriais usamos esse recurso.http://www.youtube.com/watch?v=l5d_H1PiL3c&feature=plcp esse bichinho ai do vídeo esta comunicando via infravermelho e sem alinhamento.

          P.S.: Eu ouvia rádio AM em túneis dentro de um carro, não deve ser tanta interferência assim.

          Isso porque o AM rebate bem, fora o comprimendo de onda dele que permite atravessar bem sólidos.

          Mas acho que o Laguna é o melhor para responder a esse questionamento.

          Argumento de autoridade ? 🙂

          • Carlos Magno GA

            > > Mas acho que o Laguna é o melhor para responder a esse questionamento.
            > Argumento de autoridade ? 🙂

            Pode ser que ele tenha experiência na transmissão de dados por freqüência de rádio. Não sei você, mas eu estou debatendo em cima de coisas que eu li na internet e conhecimento geral e de histórico de uso. E minhas fontes são pouco confiáveis. Ele pode ter fontes melhores, já ter construído um transmissor AM, um transmissor de rádio ou algo do tipo para uso profissional em condições de campo.

            Eu só sei que gostava de ouvir CBN em rádio AM e aquele troço pegava em qualquer lugar e qualquer pé de serra no meio da nada.

            P.S.: Imaginei agora um chinês usando as freqüências de emergência para transmitir as informações de tráfego metroviário. Seria bem a cara da China mesmo. 😀

  • Opa! Excitou!

  • Provavelmente vão comprar aqueles dongles na Dealxtreme que aumentam a potência do sinal e custam $5. De brinde vão inutilizar qualquer coisa abaixo de um microondas com o ruído. O metrô “volta” a funcionar e alguém ganha um aumento de $1 por mês pela iniciativa, ideia de geneo certo?