CSI: Nelson Rodrigues–ou: Como um General caiu por pensar com o Mr Happy

A nossa História é uma lenda de amor, traição, gMail, estupidez, ciúme, intriga internacional e o Osama Bin Laden rindo de tudo, lá do Inferno. Tenha paciência, pois o Charlie 04 é longo e complicado. Comecemos do começo, com nosso primeiro personagem:

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David Petraeus (pronuncia-se “petréias”) é um General do Exército Americano, ex-comandante da venerável 101a Divisão Aerotransportada. Foi responsável pela mudança de estratégia no Afeganistão, acabando com a ofensiva Talibã. Depois de uma carreira exemplar nas forças armadas, Petraeus foi indicado por Barack Obama como Diretor da CIA, em 2011.

 

Petraeus é (ou era) casado com Holly Petraeus, sua esposa de 38 anos (de casamento, não de idade):

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A biografia de Petraeus, All In foi escrita por uma jornalista, escritora, acadêmica e especialista em terrorismo, formada em West Point: Paula Broadwell:

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Dedicada a conhecer profunda e intimamente seu biografado, Paula Broadwell chegou a conhecer biblicamente David Petraeus. Ambos iniciaram um caso extraconjugal, sem que fosse de conhecimento de Holly Petraeus nem de…

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É, Paula também era casada. E ciumenta. Usando a lógica insana de amante ela se tornou possessiva. Passou a perseguir amigas de Petraeus. Um belo dia percebeu que outra estava ciscando em seu terreiro. No caso…

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Jill Kelley é uma socialite, bem-conectada (sem trocadilho) nos meios militares, sendo inclusive relações públicas informal da Base Aérea MacDill. Jill era “amiga” do Petraeus, e isso desagradou Paula Broadwell, quase tanto quanto desagradou…

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Sim, Jill também era casada.

Mas, você pergunta, que diabos esse imbroglio digno de Nelson Rodrigues tem a ver com tecnologia?

Calma, Pequeno Gafanhoto. Chegaremos lá.

Seguindo a estratégia feminina clássica de ligar para a adversária e desligar sem falar nada, Paula começou a mandar emails para Jill, ameaçando-se, ordenando que parasse de se meter com o homem de outra (literalmente), etc. Uma hora até o marido de Jill começou a receber emails.

Detalhe: Paula não se identificava nem dizia qual era o homem em questão.

Ela só não contava com Jill ser bem conectada (pode maldar). Cobrando alguns favores ela conseguiu que o FBI aceitasse o caso, e a agência começou a investigar os emails anônimos.

Rapidamente chegaram a um gMail secundário, usado por Paula E o marido. Sim, a espertona mandava emails para a amante do amante com um email que o marido tinha acesso.

Fuçando na conta de Paula, o FBI achou, além dos emails ameaçadores, contatos, inclusive explícitos, com alguém de alto escalão no Governo. Petraeus usava um pseudônimo.

Alguém de alto escalão manter um caso extra-conjugal não é visto com bons olhos. Não é questão de ser moralista, é uma questão de segurança. Alguém assim está vulnerável a chantagem, além de dar com a língua nos dentes, e ninguém garante que a amante não seja uma espiã. Durante a Guerra Fria a KGB se especializou em infiltrar agentes assim.

Prosseguindo com a investigação, o FBI foi favorecido por um golpe de sorte: Se a conta de gMail fosse usada normalmente, precisariam de uma ordem judicial para que o Google liberasse os IPs, e por enquanto não havia crime nenhum.

O General Petraeus, provavelmente lembrando de aulas de segurança de informação que diziam que webmails não são confiáveis, utilizou um cliente local, apenas usando o Google como servidor de email. PROBLEMA: O cliente local repassava nos headers o endereço IP. Geolocalizados, os emails mostravam que tinham sido enviados do Pentágono, da casa do General, etc.

A casa caiu. Agora sim com ordem judicial, o FBI confiscou o computador de Paula, e encontrou documentos secretos. Ela jura que Petraeus não foi a fonte, mas o FBI não acreditou muito.

Petraeus apresentou sua renúncia para o Presidente Obama, que prontamente a aceitou. Segundo amigos próximos Petraeus está arrasado, por ter destruído um casamento de 38 anos e perdido o melhor emprego de sua vida.

Mesmo assim ele é a única criatura razoavelmente sã da história toda. Chamar pistolão do FBI por causa de ameaça via email é uma senhora reação exagerada, e por sua vez dar piti por seu amante estar saindo com outra é o cúmulo da hipocrisia.

Petraeus foi burro. Não por ter pulado a cerca. Esse tipo de estupidez está no DNA masculino, é modus operandi normal pensar com o Mr Happy depois entrar em modo controle de danos. A burrice dele foi achar que um simples cliente de email offline o protegeria.

Em tempos de PGP, TrueCrypt e tantas outras ferramentas de criptografia, é trivial estabelecer uma linha de comunicação segura, que o FBI não conseguiria interceptar nunca, e que mesmo a NSA se desanimaria, diante da quantidade necessária de recursos para quebrá-la.

Se o contato com Petraeus fosse nessa linha, o FBI não teria NADA contra Paula Broadwell, e mesmo com pistolão Jill Kelley seria convencida a sossegar e ignorar os emails.

Portanto, ficadika: Se for fazer besteira em um nível épico desses, tente pelo menos cobrir seus rastros. Até porque mesmo sem ter acesso ao FBI, toda mulher ciumenta tem o telefone de um nerd carente de atenção que entende tudo de computador.

Fonte: WSJ e um porrilhão de outros sites.

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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