Depois de um ano YouTube descobre que não é fácil ser HBO e cancela metade dos canais

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Ano passado o YouTube anunciou que iria investir em conteúdo original. Foi uma fortuna colocada em grandes e/ou promissores canais. Em alguns casos o investimento chegou a US$5 milhões. Pode não ser muito para padrões televisivos mas na mão de um Epic Meal da vida dá pra comprar muito Bacon.

A idéia era engajar os usuários, tansformando-os em espectadores, gerando toneladas de visualizações e consequentemente, receita publicitária.

O conceito era ótimo. Por um lado lembrava o Cavalcade of Humour, projeto de Seth McFarlane em 2008 que iria gerar conteúdo exclusivo para YouTube, com patrocínio direto e renderia milhões. Ao contrário de quase tudo que Seth coloca a mão, o Cavalcade não deu certo e hoje até o domínio foi abandonado, e cai na home do provedor.

O YouTube resolveu ignorar décadas de experiência da indústria televisiva, e abriu a bolsa, nem nenhum critério. Com isso investiu em coisas “geniais” como um canal de humor do Shaquille O’Neal.

Junte a isso a imensa quantidade de conteúdo já subido pelos usuários e se torna virtualmente impossível concentrar audiência em um único canal o suficiente para ele se tornar lucrativo. Isso é complicado até em TV de verdade, séries excelentes como Community e Pushing Daisies não são renovadas por falta de público. A quantidade de conteúdo disponível no mundo hoje é grande demais, dispersa demais.

O experimento acabou. 50% dos canais foram cancelados, mas não da forma rápida e indolor com que emissoras de TV cancelam séries. No caso, conforme reporta o All Things Digital, o YouTube irá cancelar a verba mas os canais serão livres para continuar a fornecer conteúdo. Só que 100% da receita publicitária será recolhida pelo YouTube para recompor o investimento.

Isso mesmo. “Não vamos mais te bancar. Continue trabalhando de graça até devolver o que te emprestamos fingindo que era investimento”. O YouTube fez uma oferta que eles não poderiam recusar, e não recusaram, pelo visto.

Nada mau, pra quem se orgulha do “Do No Evil” o Google se saiu pior que executivos de TV.

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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