Windows 8– íntimo e pessoal

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No começo da semana recebi uma oferta que não poderia recusar: Um encontro em petit comité com Robin Goldstein, Gerente de Projeto da Microsoft, com 16 anos de casa. Claro, não foi tão VIP quando um encontro com Batman Goldstein, mas o MeioBit não tem tanta moral assim 😉

Foi uma rara oportunidade para sentar e por mais de uma hora ver efetivamente o Windows 8 RTM ser usado por quem o desenvolveu, tirar dúvidas e, principalmente, aplacar vários medos. Mesmo assim ainda é um tudo-ou-nada, a Microsoft está apostando em uma mudança radical na própria filosofia do Windows, mesmo tendo um virtual monopólio do mercado desktop E um grau de satisfação de usuários que não se vê faz tempo.

Qual o motivo de colocarem rodas na galinha dos ovos de Ouro então? Simples, beibi, assim como Zed, o Desktop is dead. Morreu, kaput, bateu as botas, é um ex-desktop, foi encontrar seu criador.

“ah mas eu tenho um desktop não morreu não”

Eu também tenho, mané, mas ninguém sobrevive nessa indústria olhando pros próprios pés. Um projeto de sistema operacional leva anos para ficar pronto, quando o Windows 7 saiu o iPad sequer existia. Entre ele começar a ser desenvolvido e chegar nas lojas os netbooks Linux passaram por todo um ciclo de nascimento, popularidade, decadência e morte.

O que a Microsoft está vendo é o chamado mundo pós-PC, e a forma do Windows sobreviver nele é deixar de ser um sistema operacional careta de desktop e se tornar parte da vida do usuário. NINGUÉM fala “vou pro ipad”, “vou pro Smartphone”. Você vai fazer alguma coisa que por acaso demanda um desses equipamentos. O novo paradigma do Windows 8 é ser um desses equipamentos.

Vamos a algumas observações durante o encontro:

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Interface

Indo direto ao assunto: Meu grande questionamento da interface ex-metro era ela ser essencialmente toque, e mesmo com monitores touch não seria nada bom, esticar a mão eventualmente tudo bem mas todo o tempo é cansativo demais.

O que vi foi um refinamento do mouse, agora tudo que se faz com Touch se faz com mouse, Gestos como deslizar o dedo de fora para dentro da tela, o que invoca o menu, são traduzidos por jogar o mouse pro canto, igual OSX e Windows já fazem, quando a taskbar (ou dock, no caso do Mac) estão ocultos.

Deslizar a tela se faz com a rodinha do mouse. Sim, o Windows 8 é essencialmente horizontal. Isso aparece inclusive em sites, quando o browser detecta paginação e integra na interface.

A mudança é mais profunda que isso, entretanto. A Microsoft está oferecendo ao usuário do desktop uma experiência semelhante à dos tablets, no quesito foco. Hoje a vida no desktop é uma eterna distração. Temos milhões de janelas, popups, widgets e outras formas de distração.

No tablet nos condicionamos a fazer uma coisa de cada vez, mesmo alternando entre aplicações, nunca tentamos assoviar e chupar cana.

O Windows 8 leva isso para o desktop, e pode ser uma ENORME revolução ou um ENORME fracasso. SE der certo, afetará mais positivamente a produtividade do que se removerem todos os joguinhos do Windows.

O Melhor de Dois Mundos

Uma grande crítica que eu fazia ao Windows 8 era ter que ficar alternando entre a interface ex-metro e a tradicional, mas como Robin demonstrou, é possível manter as duas, ao mesmo tempo, se você usar dois monitores, algo que recomendo MUITO.

Isso resolverá um grande problema: Organizar e achar os programas. Meu menu Iniciar e NADA é a mesma coisa. Encher o desktop de ícones não adianta. Primeiro, fica horrível parece uma penteadeira de dama que troca favores por dinheiro. Segundo, fica sempre em background. Terceiro: procurar ícones é um saco. Usando as telhas do Windows 8, incluindo o mega-zoom-out que mostra todos os seus grupos ao mesmo tempo, vou pela primeira vez saber que tenho alguns programas antes de baixar de novo e descobrir na hora de instalar.

Orientado a Pessoas, não Objetos

humanbeingsO Windows 8, assim como o Windows Phone 8 é voltado para pessoas, uma espécie de “Linux for Human Beings”, onde por Linux entenda-se Windows e por Human Beings entenda-se gente que é feliz sem saber recompilar kernel.

Um bom exemplo foi demonstrado com a integração entre contatos de várias redes sociais. De dentro de qualquer programa Windows 8 você pode interagir com as pessoas, sem sobreposição e duplicação. Ele automagicamente identifica as pessoas nas várias redes, e consolida tudo em um contato único.

Outra evolução linda de um velho conceito: Nos velhos tempos tínhamos o clipboard, que é excelente mas é uma coisa solta. Agora é possível de dentro de uma aplicação enviar dados (cacófato proposital) para outra. Edito uma imagem e de dentro do editor mando abrir no editor de textos, por exemplo.

Multiusuário? Não, Multicomputador

O Windows 8 permite que você mantenha login em 10 máquinas diferentes. Essas máquinas ficarão sincronizadas, através da Nuvem, e até mudanças de avatar e background do desktop são replicadas. Imagine, seu PC em casa e no trabalho, customizados de acordo com suas preferências. Nunca mais aquela frustração de ter esquecido de salvar um documento no pendrive, e ter que começar do zero o relatório, na noite de sexta.

Imagine a facilidade do iPad/iPhone, tudo sincronizado, mas entre desktops. Transparente e invisível (soa estranho, né?) ao usuário. Apenas funciona.

O Hardware

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Robin fez as demonstrações em um daqueles tablets que a Microsoft distribuiu durante o anúncio do Windows 8. Ela repetiu várias vezes que era um hardware Windows 7, mas não fez diferença. O negócio é muito fluído, suave. Naquele hardware teoricamente ultrapassado o Windows 8 Full rodava de forma absolutamente elegante. Ela alternava entre touch e mouse/teclado, colocando o tablet em um dock, e não havia conflito ou janelinha irritante de aviso. De novo, apenas funciona.

Um tablet, rodando um sistema operacional desktop, com performance invejável. (ao menos invejável para meu Athlon II X2)

Aproveitei para perguntar algo óbvio mas que nunca havia visto: Sim, ele funciona na vertical também, e é delicioso acessar sites em um tablet grande com uma tela vertical.

O Surface

A pergunta mais óbvia do mundo era quando sairia o Surface, o ultrabook killer da Microsoft. Robin jura que não sabe, e dada a compartimentalização dentro da Microsoft, não duvido. No Brasil, ninguém sabe também. Com o Windows Phone foi a mesma coisa. Por meses a base instalada se resumia a alguns funcionários da Microsoft Brasil. Do nada, pipocaram aparelhos nas lojas.

No caso do Surface tenho menos esperanças. Algo me diz que ele não sairá barato, e no Brasil competirá diretamente com notebooks positivo e tablets xing-ling. Tenho medo –e baseio isso apenas em auto-FUD- que ele sequer seja lançado por aqui.

O Incentivo da Migração

Como o Ano do Linux só será YEAR(NOW())+1, e o Windows 8 será lançado em 2012, o inimigo dele é outro. É o pior inimigo que ele poderia ter; o Windows 7.

Tem muito, muito tempo que a Microsoft não lança nada tão redondo quanto o 7. Tenho um netbook Asus EeePC com 2GB de RAM usando o 7 desde o lançamento. Está emprestado, e funcionando redondinho. Só reformatei minha máquina para enfiar o 7 64Bits, e isso tem 13 meses.

Todos os incentivos clássicos de migração não me atraem. Nada de “mais rápido”, “mais seguro”, essas coisas. Até a apresentação eu sequer estava cogitando migrar no lançamento. O que me convenceu foi algo muito mais subjetivo: A mudança de paradigma na forma de interagir com as aplicações.

Acho que meu jeito dispersivo procrastinador pode se beneficiar enormemente do foco que o Windows 8 dá à tarefa vigente.

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Terminal de checkin da TAM no Santos Dumont. Esse é o inimigo do Windows 8. E do 7.

O problema é que isso é uma visão totalmente pessoal, e a enorme maioria das pessoas não tem esse problema e/ou essa visão. Ainda há gente satisfeita com o XP, que dirá migrar para um sistema completamente novo e com uma interface alienígena e intimidadora, como toda mudança.

Prevejo que no Brasil pode acontecer com o Windows 8 o mesmo que acontece com o Linux: Gente dando ataques de pelanca e chamando o vizinho que entende de computador para tirar “aquele troço” do PC e instalar um Windows piratex. Microsoft sabotando a Microsoft. Mais Kafka impossível.

Por outro lado, pode ser que antes do lançamento surja uma imensa campanha publicitária, mostrando o Windows 8, criando interesse, passando o caminho das pedras. A Apple fez isso com o iPhone, e quando todo mundo pegou um pela primeira vez, já tínhamos visto tantos filme de demonstração que achamos o iPhone natural e intuitivo.

Vale o Risco?

Não é questão nem de perguntar isso, em verdade a Microsoft não tem opção. o plano de Conquista Global dela envolve estar em todas as telas, e se não fizessem nada, o Windows iria simplesmente se tornar algo acessório. Virariam no desktop o que o Linux é no servidor: Dominante, excelente mas sem charme nenhum. As tarefas legais seriam feitas em tablets e smartphones, e a parte chata, no PC.

Com o Windows 8 o usuário terá uma plataforma elegante, onde executará de forma confortável muito do que está habituado a fazer no tablet e no celular. Mantendo boa parte da experiência de uso dessas plataformas móveis. 

Resta saber: Esse usuário é o usuário médio americano, europeu? Brasileiro? Será que a Microsoft vai alienar toda uma base de usuários em prol de um futuro que não chegou para a maior parte deles?

Não sei, realmente não sei. Steve Ballmer diz que o Windows 8 é o lançamento mais arriscado da história da Microsoft. Concordo, assim como concordo que ninguém chega a lugar nenhum sem sair de sua zona de conforto. A Microsoft quer um lugar no futuro, e ao invés de tentar adivinhar qual lugar é esse, seguiu o conselho de Alan Kay:

A melhor forma de prever o futuro é inventando-o

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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