Kodak – a lenta morte do gigante

Você que hoje está confortável em sua casa com sua câmera digital pode não saber, mas você deve muito ao fundador da Kodak, um senhor chamado George Eastman. Quando a fotografia comercial surgiu, a sua execução era uma coisa muito complicada. Ser fotógrafo implicava em carregar quilos de equipamentos e produtos químicos. Para ter seu retrato estampado na parede era necessário desembolsar uma boa quantia de dinheiro em um ateliê ou estúdio fotográfico. Assim como a pintura, a fotografia estava reservada para as classes sociais mais elevadas, sendo ela também uma prova do poder aquisitivo da pessoa retratada. Claro que os menos abastados também conseguiam o seu retrato de família. Passavam meses economizando para ter em sua residência um único retrato, e por vezes as roupas que usavam nessas fotografias eram cedidas pelo próprio estúdio, mostrando uma posição social que os fotografados não possuíam.

O que George Eastman fez foi romper com esse ciclo. Nas horas de folga de seu trabalho como bancário ele começou a desenvolver o primeiro sistema de filme fotográfico de rolo da história.  O que ele fez na realidade foi popularizar a fotografia, fazendo com que qualquer pessoa fosse responsável pelo registro de sua história familiar ou pessoal. Ele trouxe a fotografia para as massas. A câmera era vendida com um filme de rolo com 100 poses. Após as fotos serem batidas, a câmera era entregue na loja onde foi comprada e a mesma era enviada para a Kodak. O filme era revelado e a câmera reabastecida com mais um filme de 100 poses e tudo era devolvido à loja. O slogan da empresa era maravilhoso: “Você aperta um botão e nós fazemos o resto”. Considero essa a primeira grande revolução dentro da fotografia após a sua invenção. A segunda revolução foi, sem dúvida, a fotografia digital, que nos trouxe outro período gigantesco de popularização da arte fotográfica.

Porém, a Kodak perdeu o bonde da história. A empresa sempre foi famosa pela inventividade e por apostar em mercados que estavam surgindo. Foi assim que Eastman construiu o seu império, porém não foi assim com a fotografia digital. Embora tenha tido em seus laboratórios as primeiras experiências com a captura digital, a diretoria decidiu não investir na coisa. Como os primeiros experimentos não mostravam uma imagem de qualidade elevada, os executivos da Kodak acharam que as pessoas não trocariam o filme e o papel pela nova tecnologia. Podemos dizer que esse foi o maior episodio de falta de visão do mundo coorporativo. O resto é informação conhecida por todos. A fotografia digital explodiu e evoluiu de maneira rápida. A Kodak demorou para entrar na produção digital e continuou apostando pesadamente, por algum tempo, na produção de filmes. Agora a empresa se encontra em uma situação desesperadora. Com prejuízo de mais de 600 milhões de dólares no primeiro semestre de 2012 eles já haviam pedido concordata em janeiro e um plano de recuperação da empresa foi colocado em curso. A produção de câmeras fotográficas digitais foi interrompida e os porta retratos digitais também foram eliminados. Vários setores da empresa foram vendidos e existia o plano de vendas de patentes relacionadas à imagem digital.

A última notícia, que chegou a nós no dia 24 de agosto é que a Kodak vai interromper sua produção de filmes e papeis fotográficos. Sim, meus amigos. Esse é o fim. Agora a empresa está totalmente fora de um dos ramos econômicos que praticamente criou sozinha. O próximo passo agora é a venda das patentes de fotografia e imagem digital que a empresa possui. A expectativa dos diretores era arrecadar cerca de 2 bilhões de dólares com elas, mas os possíveis interessados na compra (Apple e Google) garantem que o valor de mercado não passa de 500 milhões de dólares. Vejo poucas expectativas para o gigante. Provavelmente será vendido e desmembrado. Se houver justiça divina o nome deve ser enterrado junto com o passado da empresa que ajudou a formar as bases da fotografia como a conhecemos.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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